Um balanço divulgado ontem, pelo Dieese/PA releva que a cesta básica de março estava custando, em média, R$ 245,07, R$ 3,77 mais barata em relação à cesta básica de fevereiro. Foi a primeira vez este ano que a cesta básica apresentou recuo nos preços. Uma diferença tão pequena que a maioria dos consumidores percebeu mais a alta de alguns produtos do que o barateamento do custo total.
A doméstica Luiza Melo, 43, diz que não sentiu diferença nos preços. “Olha, se diminuiu, foi pouca coisa. É um absurdo o aumento do feijão. Daqui a pouco, as pessoas humildes não comem mais nada”, reclamou.
De acordo com o Dieese, o feijão foi o produto que mais encareceu em março. A alta foi de 8,37% em relação a fevereiro. Segundo dados do Dieese, em relação ao mesmo período do ano passado, o produto estava 92,57% mais barato.
Já o maior recuo notado pelo Dieese foi no preço do tomate, 17,65% mais barato.
Para o vendedor Daniel de Souza Lima, 44, a redução no custo da cesta básica foi insignificante. “Está tudo mais caro. O feijão está mais caro, o arroz está mais caro, o café também”, diz. Ao ser questionado se o salário é suficiente para pagar a cesta básica e outras despesas, Daniel Lima protesta. “Isso é uma ilusão. O reajuste do salário não acompanha o reajuste dos produtos. Enquanto tem deputado ganhando 100 mil por aí, o trabalhador é lesado, como
sempre”.
Segundo Fábio Souza, gerente de um supermercado de Belém, o encarecimento geral de produtos, como feijão e café, se deve a dois fatores: clima e as condições ruins das estradas. “A maioria dos produtos vêm do Sul. Como o clima de lá neste início de ano não favoreceu às plantações, muitos produtos ficaram mais caros. Além disso, as estradas do Estado estão péssimas, isso acaba somando no custo final dos alimentos”, explica o gerente.
O estudo divulgado pelo Dieese mostrou que no mês de março, Belém ficou entre as dez capitais com cestas básicas mais caras. A campeã foi São Paulo, onde a cesta básica custou, em média, R$ 273,25.
Segundo o Dieese/PA, no mês de março, o valor da cesta básica para uma família padrão paraense, composta de dois adultos e duas crianças, ficou em R$ 735,21. Ou seja, seriam necessários 1,18 salários mínimos para suprir os custos com alimentação. (Diário do Pará)
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