O Sindicato dos Farmacêuticos (Sinfar) confirmou a greve e a categoria vai cruzar os braços na próxima segunda-feira, 16, para cobrar das empresas adesão ao piso salarial de R$2.452,50, readequação da carga horária para seis horas de trabalho por dia e o fim da folga quinzenal. As farmácias que permanecerem abertas sem o profissional serão penalizadas de acordo com a lei.
O presidente do Sinfar, César Gomes, informou que nem todas as empresas devem paralisar. “Há aquelas que estão cumprindo um acordo fechado com os profissionais e por isso não serão penalizadas”. A categoria vai realizar mobilização na avenida Doca de Souza Franco, na manhã da segunda-feira. A concentração será a partir das 9h, nas proximidades da rua Domingos Marreiros, para reunir os profissionais.
César Gomes informa, ainda, que apenas três empresas, duas de grande porte, cumprem o piso estabelecido em acordo. “Esperamos conseguir atenção do Sincofarma para que possam atender nossas reivindicações. Será uma estratégia para pressionar os empresários”, desabafou. De acordo com ele, o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado do Pará (Sincofarma) já foi chamado para a mesa de negociações, mas não compareceu. Os dirigentes do Sincofarma foram procurados pela reportagem,mas não foram encontrados.
O farmacêutico Rui Moraes, da Divisão de Vigilância Sanitária de Controle de Drogas e Medicamentos, disse que haverá fiscalização nas farmácias durante o primeiro dia de greve, para garantir que os estabelecimentos que se encontrarem sem os profissionais permaneçam fechados. “Aqueles que insistirem em funcionar terão que responder a um processo administrativo. Ainda assim, será difícil fechar os estabelecimentos na hora, até porque a lei possui brechas que permitem o funcionamento de uma farmácia por até trinta dias sem que sejam ofertados serviços autorizados apenas pelos farmacêuticos”, esclarece. De acordo com o Sinfar, existem mais de 700 farmacêuticos empregados em mais de 430 farmácias em Belém. “Existe ainda uma falta de respeito com a categoria pelas altas jornadas de trabalho a que se submetem os profissionais, que chegam a trabalhar das 14h até as 22h, por exemplo”, conta César Gomes.
ECONOMIA
Nenhuma farmácia ou drogaria no Brasil pode funcionar sem a presença do profissional farmacêutico.. A obrigatoriedade está prevista no conjunto da legislação sanitária brasileira (Lei Federal 5991/ 73, Resoluções do Conselho Federal de Farmácia – CFF -, Portarias e outras determinações do Ministério da Saúde), de forma que qualquer estabelecimento que descumpra a lei poderá ser punido. De acordo com César Gomes, a legislação deveria unir empresários e a categoria, já que, para o lucro é necessário o funcionamento dentro da legalidade. “Eles ganham dinheiro porque trabalhamos, já que não podem funcionar sem a nossa presença. Não podemos aceitar que profissionais graduados recebam um salário mínimo, como é o caso de muitos colegas”, disparou.
Se o impasse continuar, o Sincofarma segue na contramão da tendência nacional, de valorizar o trabalhador, já que, de acordo com estimativa do Pyxis Consumo, do Ibope, o comércio de medicamentos deve movimentar mais de R$63 bilhões em 2012, e, mesmo o Pará pertencendo à região que menos vai gastar com medicamentos, movimenta cerca de 5,51% do valor na região Norte, o que representa mais de R$8 bilhões este ano. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar