O diretor do núcleo de informática do Instituto de Previdência e Assistência do Município de Belém (Ipamb) e um auxiliar são acusados, em sindicância administrativa aberta dentro do órgão, de provocar um rombo na folha de pagamento que chegaria, segundo estimativas, a R$ 3 milhões. O inquérito começou há 15 dias, depois que os acusados foram afastados das atividades. A comissão já ouviu a dupla em depoimento e deve concluir o trabalho esta semana.
Renato César Nascimento Spinelli, o diretor, e Diego Saavedra Pinheiro, técnico em informática, foram imediatamente afastados depois que a fraude foi descoberta. Servidores do Ipamb relataram ao DIÁRIO que Spinelli foi nomeado em 2009 pelo prefeito Duciomar Costa e chegou ao órgão já com status de chefe, ganhando a confiança do presidente, Oséas Silva Júnior. O técnico Saavedra Pinheiro, por sua vez, também teria livre trânsito junto ao presidente pelo fato de ser sobrinho da mulher dele.
Ainda de acordo com servidores que preferem não se identificar por temerem represálias, a desenvoltura de Spinelli no Ipamb era tamanha que ele chegou a substituir por quatro vezes o próprio Oséas Junior na presidência. Com tanto prestígio, logo seria guindado ao cargo de diretor-geral, acumulando amplos poderes.
APURAÇÃO
Segundo as denúncias apuradas pela comissão de inquérito, Spinelli teria se prevalecido do fato de ter a senha que permitia acesso à folha de pagamento para fazer descontos indevidos nos contracheques dos servidores do Ipamb. No começo, isso era feito de forma discreta, mas com o passar do tempo os descontos se tornaram habituais, provocando prejuízos aos funcionários, que passaram a reclamar sem obter explicações convincentes do diretor e de outros auxiliares que estariam envolvidos no esquema.
Servidores lesados contam que seus contracheques chegavam a apresentar descontos mensais misteriosos de até R$ 1 mil. Para eles, a direção do Ipamb demorou a tomar providências e só agiu depois que os mais revoltados ameaçaram denunciar o caso à polícia e ao Ministério Público. O Conselho Municipal de Saúde soube da fraude, mas nenhum conselheiro tomou qualquer iniciativa para cobrar explicações da direção do Ipamb. Leia mais no Diário do Pará.
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