Metade dos estudantes que cursam o último ano do Ensino Médio não sabe qual carreira pretende seguir. Foi o que comprovou uma pesquisa realizada ano passado com 2.514 alunos de escolas particulares do país. Na hora de se decidir por uma profissão, somente 8% dos jovens a consideram como uma missão de vida. Pelo menos 66% levam em consideração suas habilidades e interesses e 18% escolhem o curso pelo bom salário que possa lhe render profissionalmente. Apenas 14% dos vestibulandos pensam em fazer o curso que desejam desde criança.
Um dos motivos para a indecisão seria a falta de conhecimento necessário para uma escolha consciente. Chegar às portas da faculdade sem uma ideia clara de que profissão seguir é ainda comum para muitos jovens. Realidade que o Guia Profissões 2012, do DIÁRIO, tenta reverter.
Iniciado em 2010, o projeto tem o intuito de reunir, de forma didática e acessível, informações sobre as atividades profissionais, avanços tecnológicos e inovações, com destaque para faixa salarial, custos médios das graduações e investimentos nos cursos. Os quatro primeiros fascículos, publicados sempre às quartas-feiras, reunirão detalhes de 80 cursos em evidência no mercado paraense. No último, 27 instituições de ensino superior do Pará serão apresentadas ao estudante, para que ele analise as ofertas e qualidades de cada uma.
A edição deste ano traz ainda novidades sobre cenário profissional e geração de empregos nas diferentes regiões do Estado, além de orientar estudantes e recém-formados sobre o que devem fazer para conseguir um lugar no mercado de trabalho.
CONHECIMENTO
Colaborador do primeiro fascículo do Guia, o economista Márcio Vale ratifica que o bom profissional deve ter conhecimentos em diferentes áreas, a fim de atuar de forma eficiente, tanto no setor publico como no privado. “Podemos dizer que para os próximos anos o Estado do Pará terá um crescimento bastante significativo, principalmente na pauta das exportações e, para isso, o estado e as empresas precisam ser estimuladas a fim suprir as demandas do mercado externo”, explica. Ou seja, há espaço para os bons profissionais.
É o que esperam três estudantes do Ensino Médio de uma escola privada em Belém. Aos 16 anos, um pouco mais nova que a maioria das amigas, Izabelle Ferreira já mantém uma postura incisiva sobre o futuro. A partir da experiência da mãe conheceu a medicina, se encantou e decidiu manter o sonho de infância na escolha da profissão. “É o que eu sempre quis e tenho me dedicado bastante a isso”, conta.
Marina Freire, 17 anos, também quer fazer Medicina, mas fez a escolha apenas depois de já compreender melhor com o que se identificava. “Quando criança eu queria Direito porque achava que teria medo de ser médica mas, com o passar dos anos, vi que eu gostava muito da área e não tinha problema em ver sangue dos outros, por exemplo”, comentou.
ESCOLHA
Já Natália Sarmanho, 17 anos, não teve a mesma constância de ideias. Como ela mesma brinca, passou “por todos os cursos”, cogitando Biomedicina, Biologia até se interessar por Engenharia Civil. Com o pai engenheiro químico, ela levou em conta a facilidade de um ambiente conhecido e o bom cenário atual para a profissão. Mas admite que escolher a carreira é uma ação difícil. “Assusta um pouco porque é uma decisão para a vida inteira e é algo que deve levar e conta o que você gosta de fazer com o que dê bons salários”, afirma. Por isso, todas concordam que informação continua sendo o caminho mais seguro para tomar decisões. “Existem publicações, assim como o Guia, que levam essa informação ao aluno. Basta apenas correr atrás”, ratifica Marina.
Segundo o professor de biologia Flávio Garcia, quando o aluno não sabe o que quer isso prejudica a motivação de estudar e acaba atrapalhando. “Por isso, durante as aulas, comento a realidade das profissões, repasso algumas noções do trabalho, para que eles tenham mais discernimento do curso”, diz, seguindo as mesmas estratégias citadas no projeto do DIÁRIO.
Por fim, as dicas para um trajeto de sucesso são várias. Para Izabelle o ideal nesse período de mudança é se preparar para o futuro com calma e se dedicar à decisão. Marina sugere manter uma vida saudável e Natália aposta no apoio dos pais. Tudo resumido em três pontos por Flávio. “É essencial buscar maturidade, comprometimento e estabelecer valores éticos desde estudante, para levá-los à vida profissional”.
SERVIÇO
Na próxima quarta-feira (18) será publicado o 2º fascículo da série, com os cursos:
-Engenharia Agrícola;
-Engenharia de Alimentos;
-Engenharia Ambiental e Urbana;
-Engenharia Civil;
-Engenharia de Computação;
-Engenharia de Controle e Automação;
-Engenharia Elétrica;
-Engenharia Física;
-Engenharia Florestal;
-Engenharia Industrial;
-Engenharia de Materiais;
-Engenharia Mecânica;
-Engenharia Metalúrgica;
-Engenharia de Minas e Meio Ambiente;
-Engenharia de Pesca;
-Engenharia de Produção;
-Engenharia Sanitária e Ambiental;
-Engenharia de Telecomunicações.
(Diário do Pará)
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