É difícil imaginar que, apesar da rica biodiversidade amazônica, as comunidades tradicionais ribeirinhas vivam uma realidade de abandono. A situação se agrava em regiões insulares, como a Ilha das Onças, localizada no município de Barcarena, onde é possível observar sérios problemas ambientais, sociais e de saúde pública.
Diante desta realidade, o projeto desenvolvido pela Professora Vânia Neu, da Universidade Federal Rural da Amazônia- Ufra, tem como objetivo a introdução da meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão). O projeto visa melhorar a qualidade de vida dos ribeirinhos que vivem na Ilha das Onças, pela geração de renda socialmente justa associada à preservação de duas espécies nativas: a abelha uruçu-amarela e o açaí.
A reintrodução da uruçu- amarela se dará através da implantação de meliponários (espaço destinado para alocação de colmeias de abelhas do gênero Melipona) nos açaizais. Esta espécie de abelha é o principal polinizador do açaí, que por sua vez é a base econômica desta comunidade.
O aumento da produtividade do açaí e a produção do mel resultam na geração de renda, fazendo com que a meliponicultura tenha potencial para promover a segurança alimentar, além de estabelecer uma fonte de renda sustentável para a comunidade ribeirinha.
O processo de implementação do projeto teve como ponto de partida a capacitação da comunidade, com palestras técnicas relacionadas à área ambiental, meliponicultura, associativismo, dentre vários outros temas. A etapa que está em fase de implantação é a instalação de 15 meliponários, com 10 colmeias em cada um, somando um total de 150 colmeias reintroduzidas na ilha.
Ao mesmo tempo em que o projeto tem um grande potencial para redução de impactos ambientais, restaura ambientes degradados e promove geração de renda, possibilitando condições mais dignas de vida às comunidades tradicionais desta ilha.
BENEFÍCIOS
Segundo a professora Vânia, “O projeto não beneficia apenas a comunidade da Ilha das Onças, mas também a formação profissional dos alunos da Ufra. O contato com a comunidade e o desafio de encontrar soluções para os problemas que ela enfrenta, é de extrema importância para a formação profissional. Esta é uma grande oportunidade para que os alunos possam implantar na prática todo o conhecimento teórico adquirido em sala de aula. Além de ser um grande laboratório de pesquisa e acesso a um grandioso conhecimento tradicional que esta comunidade detém”.
Para a realização das atividades, o projeto, que é pioneiro na região norte, conta com o apoio do Banco Santander. A partir de recurso do Prêmio Santander Universidades, o projeto foi premiado na categoria “Universidade Solidária”, contemplado com um valor R$ 50.000 a ser investido na comunidade.
“Acredito que só será possível alcançar a sustentabilidade da Amazônia à medida que tornamos as comunidades tradicionais as principais protagonistas deste cenário”, finalizou a professora.(Diário do Párá)
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