Em 2012, a Igreja Anglicana da Amazônia completa cem anos de existência na região. Para comemorar, os anglicanos organizaram uma série de eventos que antecederão a grande celebração do dia 2 de setembro, que ocorrerá na Catedral de Santa Maria. No dia 28 de abril, no auditório do CCBEU, o bispo diocesano, Saulo Barros, e professores acadêmicos, se reúnem numa mesa redonda para debater o tema “Igreja Anglicana: cem anos de presença viva na Amazônia”.
A contagem regressiva começou em setembro de 2011, quando foi realizada uma grande cerimônia religiosa. Nos meses que se seguiram, foram realizados vários estudos nas comunidades anglicanas, nos quais fiéis e reverendos conversaram sobre os princípios da religião.
Para o bispo diocesano Saulo Barros, o centenário é uma oportunidade de tornar a história do anglicanismo na Amazônia mais conhecido. “Creio ser de importância fundamental resgatar a nossa história e a de outras tradições religiosas não hegemônicas no nosso país, ressaltando a diversidade do nosso povo, muito mais complexa do que ensina nossos livrinhos de catequese. Religiosidade que muitas vezes foi oprimida, silenciada e perseguida”, afirmou.
O bispo acrescenta ainda que o centenário além de resgatar a história da igreja, visa celebrar o trabalhado realizado por Deus na região, assim como renovar o propósito da igreja na Amazônia. “Vejo que a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil é de fato relevante na região Amazônica, isso me deixa bastante feliz. Se ela hoje desaparecesse num truque impensado de um mágico enlouquecido, muita gente iria perceber a sua falta. E isso é resultado desses cem anos de envolvimento com a sociedade amazônica.”, concluiu.
Filantropia - A programação do centenário também inclui ações que visam angariar fundos para da festa. A primeira delas ocorre no próximo sábado, 21, a partir das 19h, "A Noite do Escondidinho". O jantar de adesão custa R$ 20. Além de saborear o prato que dá nome a festa, o convite dá direito a participação em brincadeiras, ao sorteio de brindes e acesso ao show de ilusionismo de Roberto Carvalho. Também haverá apresentação do DJ Dick Payne. O evento será realizado na sede da Diocese, localizada em frente ao Cemitério da Soledade, na Av. Serzedelo Corrêa.
História - Antes da consolidação do anglicanismo na Amazônia, os registros comprovam duas tentativas missionárias na região: a primeira em 1860, com reverendo Richard Holden no Pará. A segunda, com o reverendo Marcus Carver no Amazonas, em 1888. Holden realizou intensa atividade evangélica, porém envolveu-se em polêmicas e foi obrigado a deixar a região dois anos depois. Já Carver chegou à Manaus como missionário metodista. Mesmo abandonado pelos seus apoiadores do exterior, ele fez um trabalho independente, criando a Igreja Amazonense.
Para implantar de fato a igreja na região, em 1911, chega ao Pará o reverendo Arthur Milles Moss com o objetivo de sondar a possibilidade de uma capelania anglicana com os imigrantes, o que só seria possível no ano seguinte, quando levantou fundos para a construção da primeira igreja anglicana no Pará na área onde funcionava o cemitério britânico. No dia 2 de setembro, foi lançada a pedra fundamental do templo, mas a inauguração ocorreu somente no dia 30 de novembro de 1912, com consagração da capela em janeiro de 1913, sob a presidência do bispo inglês Dom Edward Francis Every em sua primeira viagem à Amazônia. O evento foi noticiado pelos principais jornais da época.
Em 1955 chega ao Pará o reverendo Leslie Delbert Ross Hallett, primeiro clérigo do trabalho missionário estabelecido pelos norte-americanos no Brasil, enviado pelo Bispo da Diocese Central, Dom Louis Chester Melcher. Mas foi no episcopado de Dom Edmund Knox Sherril, em 1960, que o terreno dos ingleses foi doado em definitivo para a Igreja Anglicana do Pará.
Ainda na década de 60, chega a Belém o reverendo Charles Moya. Na sua administração, foi criada a Escola John F. Kennedy e a congregação de Belém foi reconhecida como Missão Organizada da Igreja Episcopal do Brasil. A segunda comunidade anglicana na Amazônia data de 1968, com a fundação da Missão de São Lucas no bairro da Marambaia. Dois anos depois, a Paróquia de Santa Maria receberia seu primeiro pároco brasileiro: reverendo Anselmo Stein.
Igreja e política - Em Belém, nos anos 80, o reverendo Graham William Bland participa da criação da Universidade Popular (Unipop). Funcionando inicialmente nas instalações da Escola Kennedy, a instituição ganhou notoriedade por ter sido um importante centro de discussões entre líderes religiosos e acadêmicos no período remanescente da Ditadura Militar. Mais adiante, em 1996, também com apoio anglicano, surge outro importante instrumento de diálogo com a sociedade: o CAIC (Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs).
O envolvimento com as questões sociais continuou no ministério do reverendo Maurício Andrade, o segundo brasileiro a assumir a Paróquia de Santa Maria. Sua gestão é marcada pelo fortalecimento das comunidades existentes e pela abertura da igreja para novas expressões. Durante eu ministério, a IAEB considera a Amazônia uma das missões prioritárias no Brasil. Em 1993, surge a terceira comunidade anglicana: São João Batista, na Terra Firme.
Criação da Diocese - Em 2000, durante o Vigésimo Sínodo da IAEB, foi criado o Distrito Missionário Provincial da Amazônia, incluindo os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima. Este foi o primeiro passo para que alguns anos depois se instalasse a Diocese Anglicana da Amazônia. No mesmo ano, surgiram mais três comunidades anglicanas em Belém: São José das Pedras, Santíssima Trindade e Ascensão em Santa Izabel do Pará. Em 2002 iniciam os trabalhos em Icoaraci, atualmente Ponto Missionário de Anunciação do Senhor.
Em julho de 2006, durante XXXI Sínodo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IAEB), é criada a Diocese Anglicana da Amazônia, com eleição do seu primeiro Bispo, Dom Saulo Maurício de Barros. A instalação da Diocese e a sagração do seu bispo ocorrem no dia 14 de outubro na Paróquia de Santa Cruz, uma igreja católica, com a presença do seu pároco, Padre João Maria, e do Arcebispo Católico Romano de Belém, Dom Orani Tempesta, além de representantes da Igreja Anglicana. (DOL com informaçõe de assessoria)
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