Centenas de farmacêuticos em Belém estão em greve por tempo indeterminado. O anúncio da paralisação foi feito segunda-feira (16) pela manhã, durante ato público na avenida Visconde Souza Franco (Doca), em Belém. Um grupo de cerca de 100 trabalhadores protestou contra o ritmo de trabalho e a escassez de direitos.
“Temos uma profissão importante, mas completamente abandonada. Não temos piso, nem carga horária definida, nem direitos assegurados. O trabalhador está sendo explorado com excesso de demandas”, discursou o presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do Pará, César Gomes.
A proposta da entidade sindical é instituir uma Convenção Coletiva de Trabalho com o setor empresarial. Os farmacêuticos reivindicam um piso salarial de R$ 2,4 mil e o fim da jornada de folga quinzenal. As lideranças afirmam que as farmácias sobrecarregam os funcionários com jornadas de 44h semanais e pagam salário médio de R$ 1,5 mil.
Durante a caminhada ao longo da avenida, um grupo de farmacêuticas da rede Personale reclamava das condições oferecidas à categoria. “Recebemos salário abaixo do mercado, não existe gratificação, nem diferenciação em relação a técnicos substitutos. A sobrecarga de trabalho é imensa e o estresse influencia na nossa qualidade de vida”, comentou Deisiane Bezerra. Ao lado dela, as companheiras de trabalho Dayse, Itela, Priscila e Ana Paula, também, integravam a paralisação.
FARMÁCIAS
Com a ausência dos profissionais, duas farmácias foram fechadas pela Vigilância Sanitária em Belém, já que segundo a lei federal 5.991, de 17 de dezembro de 1973, todo estabelecimento que comercializa medicamentos deve possuir um profissional farmacêutico durante o horário de funcionamento.
Nos bairros centrais, poucos estabelecimentos estavam fechados e, nas maiores drogarias, os profissionais não paralisaram, considerando que a rede Big Ben e Farmácia do Trabalhador já contêm acordos coletivos e não foram atingidas pela greve.
EXTRAFARMA
Ainda ontem, foi dado início à rodada de negociação entre o Sindicato dos Farmacêuticos do Pará (Sinfar) e a rede Extrafarma. Uma das principais decisões acordadas durante a reunião foi a de que a greve dos farmacêuticos seria suspensa imediatamente, no caso específico da Extrafarma.
Durante a reunião, o Sinfar entregou à Extrafarma as principais reivindicações da categoria. A proposta já está sob a análise da empresa, que deverá ter novo encontro com o Sinfar, no próximo dia 24 de abril. (Diário do Pará)
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