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NOTÍCIAS PARÁ

Da Tv Cultura para as telonas do Cine Olympia

Na tevê, a história é contada em imagens e sons. Isso nunca mudou. O que se transforma é maneira de contá-la. O olhar sobre o cotidiano, sobre a arte e sobre a vida entra em mutação. Adapta-se ao tempo e ao lugar. Reflete um período, uma época, uma forma

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Na tevê, a história é contada em imagens e sons. Isso nunca mudou. O que se transforma é maneira de contá-la. O olhar sobre o cotidiano, sobre a arte e sobre a vida entra em mutação. Adapta-se ao tempo e ao lugar. Reflete um período, uma época, uma forma de narrar. É isso que o público de Belém vai perceber nos documentários da Mostra Cultura, que entra em cartaz hoje no Cine Olympia, como parte da programação dos 100 anos de atividades do mais antigo cinema em funcionamento no Brasil.

“Na época, a pegada era completamente diferente. O jeito que o repórter se vestia era outro, a forma de se apresentar para câmera. Havia muito documentário jornalístico antes [anos 80/90]. Hoje você observa mais documentários. Era um estilo diferente. É a oportunidade de ver uma Belém diferente. O próprio método da tevê foi mudando ao longo das épocas”, comenta o curador da mostra, Roger Elarrat.

A curadoria do projeto começou no final do ano passado. Roger viu e pesquisou horas de filmagens, além de contar com o apoio e sugestões da equipe do arquivo da emissora e de profissionais com anos de casa, como Nassif Jordy e Tim Penner. “Eu fiquei confinado um bom tempo. Pegava uma lista de obras e mostrava pras pessoas para ver o que elas achavam, toda semana eu procurava ver de dois a três filmes. Foi uma oportunidade de conhecer um vasto material. Alguns filmes são verdadeiras raridades, pois foram exibidos uma única vez na TV Cultura”, afirma Elarrat.

A Mostra Cultura terá a exibição de 15 produções do acervo da TV Cultura do Pará. Sãos obras que resgatam momentos diversos da produção televisa paraense e compõem as mais de 13 mil horas gravações guardadas no arquivo da emissora - o maior acervo de televisão do estado. Vai de 1989 a 2012. Os trabalhos mais recentes serão exibidos ainda em abril, de hoje até o dia 21, sempre às 18h30, e com entrada franca. Já os das décadas de 80, 90 e 2000, chegam à tela do Olympia no dia 22 de maio e ficam até o dia 27 do mesmo mês.

“Eu levei vários coisas em consideração. A pluralidade de realizadores. Peguei de várias épocas, também pesquisei horas de imagens, a conversão do material. E procurei pegar produções que flertassem com documentário, como os documentários jornalísticos”, aponta Roger.

Programação, gratuita, segue até o dia 27 de maio

A programação começa com a versão inédita de “Miguel-Miguel”, baseada na obra do escritor Haroldo Maranhão. Originalmente uma minissérie televisiva em seis episódios, a produção de 2010, feita por Elarrat para a TV Cultura será lançada em formato de longa-metragem, com duração de 80 minutos.

Amanhã, é a vez do documentário sobre os grupos de carimbó do interior do estado, “Pau & Corda”, de Robson Fonseca, um dos mais recentes lançamentos da TV Cultura. Na quinta, 19, a vida e a obra de Benedito Nunes ganham som, cor e imagem no documentário “Mora na Filosofia”. Lançado em 2011, a projeto tem 52 minutos de duração e tem a direção de Júnior Braga. Júnior também terá outro documentário nas exibições de maio, “Haroldo Maranhão”, que mostra um bate-papo do escritor com nomes como Elias Pinto, Max Martins e Alonso Rocha, gravado na casa de Benedito Nunes, na travessa da Estrella.

“São documentários sobre duas personalidades importantes do Pará. No Benedito, procurei mostrar o homem, o professor, que era acessível, um ótimo professor, que nunca faltava, muito alto astral, engraçado, simples, que contava histórias engraçadas e, com 80 anos, ainda tava aprendendo, que não parou no tempo. No do Haroldo, cheguei a chamar o Marton Maués para interpretar algumas falas e textos do Haroldo, entremeando com os depoimentos. Um é um pouco mais jornalístico [do Haroldo], tem a aquela coisa datada, onde nasceu. O outro é uma colcha de retalhos com depoimentos de várias pessoas que conviveram com Benedito. Amigos, alunos, poetas, filósofos”, comenta Braga.

Para fazer “Mora na Filosofia”, Júnior percorreu horas de gravações presentes no arquivo da TV Cultura. “Tem muita coisa, passei uns dois meses decupando pra ver e não consegui ver tudo. A história da televisão recente do Pará é aqui que tem, de economia, de cultura, de esporte, de polícia, de política. Tudo o que você quer, você encontra. Desde documentário sobre garimpo a Waldemar Henrique, talvez o único documentário que se tem sobre ele. Tudo isso tem documentado”, conta.

A história de duas bandas centenárias do município de Vigia, no Pará, é exibida no dia 20, em “Saudades da minha Terra” (52 min, 2009), de Nélio Palheta e Aladim Júnior. No domingo, 21, “Camisa de 11 Varas”, de (52 min, 2009) encerra a programação de abril ao narrar a fuga de 16 homens do trabalho escravo em São João da Ponta, em 1974.

ASSISTA

Mostra Cultura. Exibição de documentários da TV Cultura no Cine Olympia. De 17 a 21 de abril e de 22 a 27 de maio, sempre às 18h30, com entrada franca. Mais informações: www.portalcultura.com.br.

Direto do túnel do tempo

Toda terça-feira, às 19h, vai ao ar o programa “Arquivo Cultura”, na TV Cultura. Apresentado direto do arquivo da emissora, o programa resgata reportagens, documentários, entrevistas e produções audiovisuais que contam a história da televisão no Pará. (Diário do Pará)

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