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72% das línguas indígenas estão na Amazônia

Engana-se quem pensa que no estado do Pará se fala apenas Português. Além do idioma oficial, no solo paraense também são faladas outras 25 línguas indígenas. Em toda a Região Amazônica, estão concentradas 72% das chamadas línguas minoritárias ainda falada

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Engana-se quem pensa que no estado do Pará se fala apenas Português. Além do idioma oficial, no solo paraense também são faladas outras 25 línguas indígenas. Em toda a Região Amazônica, estão concentradas 72% das chamadas línguas minoritárias ainda faladas no Brasil. A maioria delas, é de origem indígena. As pesquisadoras da Universidade Federal do Pará (UFPA), Marília Ferreira e Leopoldina Araújo, desenvolvem pesquisas sobre o tema na tentativa de ajudar a preservar a variedade linguística no estado.

“As línguas indígenas brasileiras são línguas minoritárias. Geralmente, a sua situação sociolinguística é de stress linguístico, pelo fato de estarem em competição com a língua portuguesa, que é majoritária e socialmente prestigiada. Dessa forma, o que tem ocorrido é que alguns domínios sociais anteriormente ocupados por línguas indígenas, hoje o são pela língua portuguesa”, explica Leopoldina Araújo.

O “Português” ainda invade aldeias - Segundo as pesquisadoras, a principal ameaça a manutenção das línguas indígenas é o aumento gradativo do contato com as populações não indígenas. Para elas o extermínio dessas populações, como ocorreu durante os processos de colonização do continente americano; o casamento com não-indígenas, com o consequente abandono da língua original no ambiente familiar e a adoção do português; e o abandono do uso corrente desta língua entre as novas gerações, acompanhada pelo falecimento dos idosos da comunidade são as situações que mais ameaçam a continuidade destes idiomas.

“Por muito tempo, as populações indígenas e suas línguas foram consideradas primitivas e sem valor algum pela sociedade letrada e, admitamos, ainda hoje esses povos são socialmente discriminados, apesar de suas muitas conquistas”, conta Leopoldina Araújo.

O desaparecimento de um idioma, ameaça não apenas a comunidade na qual ela era falado, mas toda a sociedade. “Quando se perde uma língua, se perde também uma específica perspectiva de compreensão do mundo, de interpretação a vida e suas questões, perde-se cultura, perde-se conhecimento de diversas ordens. Pelo fato de essas línguas serem de tradição oral, essa perda é muito mais dramática, já que alguns dados históricos podem ainda ser recuperados através de elementos simbólicos, como cantos, pintura corporal, muitas vezes nominação, mas a falta de registros escritos limita o acervo registrado”, resume Marília Ferreira.

As línguas indígenas também influenciam o português – Certamente há influência das línguas indígenas sobre o português brasileiro e essa presença é mais marcante e visível no léxico de modo que muitas palavras usadas cotidianamente têm origem em termos indígenas.

“Historicamente há maior registro da influência lexical tupi, frequente em nomes próprios de pessoas, de acidentes geográficos e localidades, nomes de frutas e diferentes vegetais. Mas morfológica e sintaticamente também há marcas tal como morfema comparativo do tupi “rana”, que significa “semelhante a” ou “tal como”, que ocorre em palavras como umburana, canarana, cajaran”, revela Leopoldina Araújo.

Marília Ferreira reforça que uma das diferenças entre o português falado no Brasil e o falado em Portugal é justamente a presença de outros idiomas. “Na Amazônia, o português apresenta características marcadamente advindas do contato linguístico”. Como exemplo a pesquisadora apresenta a expressão “Será?” em frases interrogativas na Região Tocantina. “O ‘Ele vai, será?’ parece não ser a forma do verbo ‘ser’, como aparenta, mas uma marca interrogativa oriunda do tupi”. (Ascom/UFPA)

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