Com objetivo de reduzir a ocorrência de casos e combater a subnotificação de Chagas no Pará, a coordenação estadual de Controle da Doença de Chagas da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) alerta os municípios sobre a atualização dos registros para o diagnóstico precoce. A intenção é que pacientes com casos positivos sejam tratados antes de evoluírem para a fase crônica.
Segundo a coordenadora estadual de Controle da Doença de Chagas, Elenild Góes, é de fundamental importância que os municípios prestem atenção para as notificações. Ela destacou a necessidade do comprometimento do 1°, 6°, 7º e 8° Centros Regionais de Saúde que abrangem os municípios onde se concentram 80% dos casos de Chagas no Estado. “Devemos aumentar a sensibilidade para a notificação, pois com o caso notificado diminuímos a possibilidade de óbito, além de possibilitar a detecção de outros casos. Com isso, o paciente é encaminhado imediatamente para as referências de atendimento do Estado”, afirmou.
No Pará, 86 municípios são considerados prioritários para a doença, segundo o Plano de Intensificação de Controle da doença de Chagas. Em parceria com o Departamento de Vigilância Epidemiológica, Vigilância Laboratorial, Atenção Básica, Atenção de Média e Alta Complexidade, Vigilância Sanitária, Vigilância Ambiental e Entomológica e Educação em Saúde, o plano desenvolve ações estratégicas que visam à capacitação de equipes técnicas para garantir atendimento na capital e em todos os municípios, além de assegurar medicação especifica, o diagnóstico, tratamento e acompanhamento ao paciente. As ações previstas têm como objetivo a redução da ocorrência de casos e a diminuição da exposição ao risco para transmissão vetorial e oral por alimentos e ainda a redução da mortalidade pela doença.
O trabalho também envolve a investigação da presença de barbeiros nas áreas onde os casos são detectados, uso de armadilhas para captar barbeiros, orientação às comunidades sobre os cuidados com a presença do inseto e a identificação dos mesmos nos municípios de risco.
Elenild Góes alerta a população para a safra do açaí que começa em junho, período em que ocorre o aumento de número de casos. Ela ressaltou que os cuidados devem ser redobrados com a manipulação do fruto, que deve ser lavado com água tratada e ficar pelo menos vinte minutos de molho em uma mistura de 80 ml de hipoclorito. “O branqueamento pelo qual passa o fruto de 80º por 10 segundos, continua sendo o processo mais seguro para eliminar o Trypanosoma cruzi, responsável pelo surgimento da doença de Chagas. Por meio de capacitações de batedores de açaí em boas práticas de manipulação de alimentos, contribuímos para a diminuição do risco de transmissão oral por alimentos”, observou.
No Pará, a doença de Chagas vem se destacando pelo número de casos agudos, sendo que muitos ocorrem por transmissão oral. De acordo com a Coordenação Estadual de Doenças de Chagas, neste ano foram registrados 15 casos confirmados da doença. Oeiras do Pará e Abaetetuba são as cidades que estão no topo nos números de incidência. Na capital os bairros de Jurunas, Pedreira e Guamá são onde se tem mais casos da doença.
O diagnóstico parasitológico que detecta a presença do parasita no sangue de pacientes suspeitos é feito nos municípios pelos mesmos técnicos do controle da malária. O diagnóstico sorológico é feito no Laboratório Central do Estado (Lacen), referência e certificado neste mês pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) para a doença de Chagas.
Os hospitais Barros Barreto, Hospital de Clínicas e Hospital Regional do Marajó são referência para a realização do seguimento clínico. Segundo Elenild a idéia é capacitar todos os hospitais Regionais para se tornarem referência em doença de Chagas no Estado. O paciente de Chagas tem que tomar o benzonidazol por dois meses e fazer o seguimento clínico por cinco anos. Eles devem fazer regularmente exames como Eletrocardiograma, Raio X de tórax, Ecocardiograma entre outros. (Ag. Pará)
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