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Famílias querem punição por mortes em HMI

Familiares que tiveram entes mortos ou que ficaram com sequelas por conta de atendimento no Hospital Materno Infantil (HMI), em Marabá, procuraram a Rede Brasil Amazônia de Comunicação (RBA) na manhã de ontem (20) para pedir justiça aos casos sem resposta

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Familiares que tiveram entes mortos ou que ficaram com sequelas por conta de atendimento no Hospital Materno Infantil (HMI), em Marabá, procuraram a Rede Brasil Amazônia de Comunicação (RBA) na manhã de ontem (20) para pedir justiça aos casos sem resposta até o momento.

São casos de gestantes que morreram por atendimento mal direcionado, que perderam seus bebês ou que tiveram filhos com sequelas, como os vários casos registrados de crianças que sofreram lesão do plexo braquial, um tipo de lesão nervosa que seria ocasionada no parto normal realizado de forma forçada.

Iridam Moraes, 29 anos, é um exemplo das várias mães cujos filhos tiveram esse tipo de lesão e, segundo ela, especialistas já diagnosticaram o caso como irreversível. “Minha filha hoje tem três anos e durante todo esse tempo ela faz fisioterapia para amenizar os efeitos da sequela, mas o certo é que não tem mais jeito. Antes do parto, avisei ao médico que não tinha condições de passar por um parto normal, mas ele não me deu ouvidos. O caso dessas crianças, como o da minha filha, não tem mais volta e por isso queremos que os responsáveis sejam punidos”, desabafa. Cremilza Pereira e mais duas mães reclamaram da mesma situação.

Além delas, dezenas de mulheres relataram o drama de perderem o filho depois de meses de gestação saudável. Maridos, irmãs e pais de gestantes relataram emocionados como perderam suas familiares grávidas, que foram dar à luz na casa de saúde e saíram mortas de lá.

Oseveld da Silva perdeu a filha e clama às autoridades por ajuda. “Se tivesse uma UTI nesse hospital, muitas mortes seriam evitadas. Clamo ao governador e a outras autoridades que se mobilizem para que não haja mais tantas mortes”, pediu.

O DIÁRIO fez contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura de Marabá, que ficou de contatar a diretoria do HMI para enviar uma nota à Imprensa, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.

CPI

A Câmara Municipal de Marabá (CMM) convocou os médicos do HMI envolvidos nos quatro casos de morte que ocorreram no hospital este ano para uma reunião ontem pela manhã, mas nenhum atendeu à convocação. Diante disso, o presidente da CMM, Nagib Mutran Neto, afirmou que o Legislativo deve abrir uma CPI para investigar esses quatro últimos casos na próxima semana.

Um dos casos mais recentes e que chocou a cidade foi o da comerciante Tereza Carosi, de 41 anos. O suplício dela teve início no dia 28 de março, quando morreu um dos gêmeos que esperava, logo após o parto. Três dias depois, o segundo recém-nascido também faleceu.

A família acusa a equipe que estava de plantão de ter sido negligente, uma vez que a mãe ficou quase seis horas à espera de atendimento e não poderia ter parto normal, porque passava por uma gravidez de risco. O Ministério Público foi acionado e determinou que a Polícia Civil abrisse inquérito para investigar o caso.

O Hospital Materno Infantil de Marabá já registrou 14 mortes de recém-nascidos somente este ano. Afora isso, existem quase 10 denúncias no Ministério Público em relação às sequelas em bebês na hora do parto, geralmente provocadas por uso de fórceps (aparelho usado para “facilitar” a saída do feto). (Diário do Pará)

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