São quinze anos de fortes dores e nenhum diagnóstico concreto. A peregrinação de hospital em hospital já faz parte do cotidiano do jovem Anderson Cordeiro dos Santos, 21 anos. Porém, na manhã do último sábado as dores se intensificaram e ele ficou paralisado, sem poder sentar ou andar. Os familiares solicitaram os serviços da ambulância do Corpo de Bombeiros, que o retirou de casa e o levou até o Hospital Modelo, no conjunto Cidade Nova II, em Ananindeua, onde começaram outros problemas.
De acordo com o cunhado do rapaz, Tobias Farias, a médica que estava de plantão não quis recebê-lo. “Ele gritava de dor e mesmo assim o atendimento foi negado, alegando que ele precisa ter o encaminhamento do pronto - socorro”, contou. Prontamente a equipe de bombeiros retirou o rapaz do local a fim de conseguir a guia para internação. Com o documento em mãos, eles retornaram ao Hospital Modelo, onde receberam a informação de que Anderson não poderia ficar internado porque não havia especialista para cuidar do caso do rapaz. “Acredito que o certo seria eles conseguirem um leito para ele em outro local. A doutora não queria nem medicá-lo. Foi preciso os bombeiros ameaçarem dar voz de prisão a ela para que algo fosse feito”, desabafou o homem indignado, em frente ao hospital. Anderson foi atendido, mas foi avisado que não poderia ficar no hospital e a família precisaria conseguir outro local para ele ficar.
Temendo pela vida do rapaz, Soldado Hernani e Cabo Alves, responsáveis pela ambulância do corpo de bombeiros, registraram boletim de ocorrência na Seccional da Cidade Nova acusando a médica de negligência. “É também uma forma de nos respaldarmos, já que estamos andando com um paciente com a vida nitidamente em risco”, disse.
Anderson foi medicado e encaminhado de volta para o pronto socorro da Cidade Nova, onde permaneceu até a manhã de ontem, quando foi transferido para o Hospital Metropolitano de Belém. “Essas andanças ainda vão continuar, tenho certeza. O que me deixa mais triste é o fato da médica perceber o estado dele e não se sensibilizar”, enfatiza. No Hospital Modelo ninguém quis se pronunciar. À reportagem, a recepcionista informou que qualquer tipo de explicação à imprensa deve ser encaminhada pela assessoria de comunicação, que não trabalha aos finais de semana. A médica não quis esclarecer sobre o problema.(Diário do Pará)
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