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Reintegração de terreno vira protesto

Sentada em um canto, Valdenora Pinheiro parecia não acreditar na cena diante de seus olhos. Uma das moradoras da ocupação “Nova Aliança”, no município de Benevides, região metropolitana de Belém, via sua casa ser demolida minutos após o cumprimento de rei

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Sentada em um canto, Valdenora Pinheiro parecia não acreditar na cena diante de seus olhos. Uma das moradoras da ocupação “Nova Aliança”, no município de Benevides, região metropolitana de Belém, via sua casa ser demolida minutos após o cumprimento de reintegração de posse do terreno em que vivia junto com aproximadamente 300 famílias. A ação aconteceu segunda-feira (23) e teve o apoio da tropa de choque e da cavalaria da Polícia Militar. “Não sabíamos que eles viriam. Só ontem (domingo) que fomos informados. Agora não tem mais como voltar, vou ter que dar um jeito, tentar uma solução. Estou pelo menos tentando recuperar o material da construção”, disse. Vinda do Maranhão, ela morava na área junto com a família do filho e de uma irmã. “Nós morávamos de aluguel e viemos para cá em busca de algo melhor. Agora não sabemos para onde ir”.

Assim como ela, centenas de famílias ainda não sabiam o que fazer nem para onde ir. Nas portas das casas, os moradores começaram a arrumar todos os objetos que podiam e tentavam guardar os materiais de construção à medida que as casas iam sendo derrubadas. Uma mulher chegou a passar mal, desmaiou, e precisou ser socorrida por uma equipe médica. Muito emocionada, a comerciante Ana Paula Souza, que morava no local há um ano e meio, afirmou que a chegada da polícia pegou os moradores de surpresa. “Há cerca de dez dias, veio um documento falando da desapropriação, mas não sabíamos que seria hoje (ontem). Nem caminhão temos para levar as nossas coisas”, contou.

Na porta de sua casa com os dois filhos pequenos, Sinete Mota apenas observava os vizinhos fazerem a retirada de móveis e objetos pessoais de suas casas. Ela se dizia “sem coragem” de começar a arrumar suas coisas. “Não sei o que vou fazer. Meu marido fez um empréstimo para construir esse quartinho. Ainda não estou acreditando no que está acontecendo, mas não vou resistir, não posso fazer nada”, lamentou.

Apesar da tristeza e indignação, as famílias não entraram em conflito direto com os policiais. A operação de reintegração de posse contou com a participação de 120 policiais do Comando de Missões Especiais (CME). “Eles já sabiam que iriam ter que sair do local há bastante tempo e há dez dias foram avisados da ação. Este é um terreno particular e a retirada está sendo totalmente pacífica. Vamos manter os policiais por três dias aqui para que as pessoas não permaneçam no local”, disse o coronel Saraiva, comandante do CME. A reintegração foi determinada pela justiça em janeiro deste ano.

PROTESTO
Por causa da reintegração de posse, os moradores iniciaram um protesto na rodovia BR-316, km 18. Utilizando uma barricada de pneus e pedaços de madeira em chamas, eles interditaram um lado da pista, no sentido Benevides – Belém, às 6h. Com a chegada da polícia, eles decidiram dar fim à manifestação, quase duas horas após terem bloqueado a via. O fechamento da rodovia ocasionou um grande engarrafamento. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) precisou reorganizar o trânsito para auxiliar no fluxo de veículos. (Diário do Pará)

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