O número é alarmante. São cerca de 500 hepatologistas no Brasil para milhões de pacientes com algum tipo de hepatite, doença que atinge o fígado. Registrados na Sociedade Brasileira de Hepatologia, o Pará tem apenas seis profissionais na área. Os outros especialistas que podem cuidar dessas patologias são os médicos infectologistas, mas esse é outro tipo de profissional escasso no mercado. São cerca de 1.800 no país e, desse total, nem 10% tratam das hepatites.
Estima-se que até 2% da população brasileira tenha hepatite C, o que em números absolutos representa mais de 10 milhões de pessoas. A maioria delas nem sabem que está doente.
O crescimento da doença em suas diferentes variações preocupa os especialistas. Mas o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Marcelo Simão Ferreira, acredita que o governo tem dado atenção à patologia. “Estamos cuidando bem dessa área. Depois do Programa de DST/Aids, o de hepatites é o que tem mais verba do Ministério da Saúde. Para hepatite B, o SUS (Sistema Único de Saúde) disponibiliza as melhores drogas. O problema é que a doença é subdiagnosticada. Temos poucos profissionais que a conhecem.”
Em todo o Pará, há apenas 144 pacientes em tratamento de hepatite C. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, Henrique Sérgio Coelho, é necessário capacitar mais profissionais capazes de diagnosticar a doença. “O número de pacientes em tratamento é, com certeza, menor que o número de casos. Precisamos de mais médicos que trabalhem com hepatites. Não estamos mais falando de especialidades, e sim de tratamento. Os clínicos médicos bem treinados também podem cuidar desses casos”, afirma.
A maioria dos profissionais da área está nas regiões Sul e Sudeste. “A hepatite é uma área básica da saúde, é fundamental que se tenha profissionais para isso. A hepatologia é a especialidade, mas não podemos ter só ela. Por isso, agora ela também é uma área de atuação da infectologia, o que ainda não é suficiente”, completa Marcelo Simão.
TELEMEDICINA
Para amenizar a dificuldade de acesso ao tratamento, a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) e o Hospital Universitário João de Barros Barreto lançam, durante o Congresso Médico Amazônico, o projeto ECHO. O projeto tem uma parceria técnica com a Universidade do Novo México e vai realizar uma vídeo-conferência por semana com médicos de diversos municípios do Pará. O objetivo é treinar os profissionais do interior do Estado para atender casos de hepatites através da discussão e análise conjunta de casos reais. “Não temos esse serviço no interior porque não temos médico para isso. Com esse projeto vamos qualificar os médicos sem afastá-los dos seus pacientes”, esclarece a coordenadora do projeto, Deborah Crespo.
Mas o atendimento ainda não será em todos os municípios, de acordo com ela. “Temos apenas 18 cidades com serviços nesse tipo de atendimento e com uma boa conectividade de internet para realizar o projeto, mas a meta é expandir”, garante. (Diário do Pará)
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