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Dia é dedicado às empregadas domésticas

O relógio nem bem marcou 5h e Maria Odinéia Santos Mendes, 51, já está de pé. Correr para o que considera a pior etapa do trabalho, a condução. Em média, leva uma hora e meia para chegar à casa da patroa, no bairro de Nazaré. “Preciso andar até o final da

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O relógio nem bem marcou 5h e Maria Odinéia Santos Mendes, 51, já está de pé. Correr para o que considera a pior etapa do trabalho, a condução. Em média, leva uma hora e meia para chegar à casa da patroa, no bairro de Nazaré. “Preciso andar até o final da linha para conseguir um lugar. É um sufoco, o ônibus vem muito cheio”, descreve. Neia, como é chamada, tímida e nervosa no sofá dos patrões, após a insistência da filha da dona da casa, faz a primeira entevista. Aos poucos, relaxa e lembra o início da profissão. “Sempre fui doméstica, nunca fiz outra coisa e não tenho vergonha de dizer”, resume, com a naturalidade de quem dedica 36 anos à casa de outras famílias. Nascida no município de Soure, aos 15 anos mudou-se para trabalhar na casa da madrinha como babá, mas sem salário. “Eu reparava a filha dela e em troca ela me dava as coisas de que precisava”, comenta. Lá ela permaneceu por dois anos. “O máximo que passo numa casa são três anos. Depois a gente enjoa. Posso dizer que ninguém nunca me colocou pra fora, sempre sou eu que saio”, revela a doméstica, que arruma, lava, passa, cozinha e ainda dá uma “olhadinha” nos dois cachorrinhos da casa, sempre cantarolando. “Pode esquecer. Não vai ter jeito de cantar nada agora. Deu até um branco. Não lembro nenhuma”, despista Neia sem ceder à pressão do pedido de uma ‘palhinha’.

Em outra casa, quem também carrega a música como aliada é Francinete dos Santos Silva, 26, que está no primeiro emprego há um ano e quatro meses. Da cozinha, o cheirinho bom da comida que ela prepara, enquanto alimenta o sonho de se tornar advogada. “Ainda não é para agora, mas dá para chegar lá. É o grande sonho da minha vida desde a infância. Voltei a estudar para isso”, conta a doméstica, que durante as noites acompanha as aulas de supletivo em uma escola próxima. Sem experiência, chegou à casa dos patrões após a separação conjugal e viu nos livros e revistas de receitas um dos segredos para permanecer no emprego. “Pensei que não ia durar no serviço porque não sabia de nada, mas ela [a patroa] é muito boa para mim. Teve paciência e tá dando certo. Não sou uma chef de cozinha, mas com a ajuda das revistas tô chegando lá”, diverte-se. Francinete enfrenta a distância dos filhos de 8 e 6 anos, que ficaram com a avó na ilha de Outeiro. “Eu gostaria de estar mais presente, mas preciso trabalhar. É muito difícil, tento acompanhar como posso. Peço para os professores passarem bastante dever de casa no final de semana, que é para eu poder acompanhar de alguma forma. É muito difícil”, lamenta.

Quando foi chamada para tomar conta de uma casa e de um bebê de oito meses, Dilena de Oliveira Medeiros, 35, ficou preocupada. “Eu não tinha nenhum tipo de afinidade com crianças. Para mim, elas choravam muito, mas estava precisando, então aceitei e foi a melhor escolha que podia ter feito, eles não me tratam com diferença nenhuma”, define a doméstica, treze anos depois da escolha. Graças à família, conheceu diversas cidades do Pará e até do Ceará. “Conheço restaurantes e hotéis chiques que se não fosse por eles jamais frequentaria”.

Apenas com namorado e sem filhos, os patrões dividem a casa com ela e, desde que passou no vestibular para pedagogia, há mais de um ano, existe entre eles um acordo. Quando passar em concurso público ou for chamada para trabalhar na área de educação, terá liberdade para ficar na casa o tempo que achar necessário. Em busca desse objetivo, antes das 7h acorda e até as 16h tudo tem que estar pronto para ir à faculdade. Na volta, limpa o que ficou do jantar e entra a madrugada estudando. (Diário do Pará)

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