Julie Lourenço tem uma pele “malavilhosa” e, no canal de vídeos You Tube, dá dicas de maquiagem para ocasiões informais, como brincar no parquinho, ir ao shopping ou a uma festinha. Com apenas 4 anos, a loirinha de olhos claros é sucesso na internet, mas a fama da garotinha suscitou a discussão sobre questões mais sérias. Até onde as crianças devem fazer uso desse artifício? Existe limite de idade? Quando a brincadeira pode virar excesso?
Nos vídeos de Julie a garota imita outras tantas moças que fazem tutoriais de maquiagem pela web, mas a surpresa fica por conta da irreverência. Divertida, ela encarna a profissional e mostra um passo a passo para montar looks fabulosos. Tudo, porém, fica no campo da brincadeira, com direito a delineador borrado, sombra espalhada e até uma Barbie cobaia.
Já em outros vídeos, garotinhas com um pouco mais de idade fazem pinturas elaboradas, carregadas e exageradas demais para a idade, e para as mais diversas ocasiões. Um bom exemplo é o filme “Pequena Miss Sunshine”, que aborda o universo dos concursos de beleza infantil, em que as garotas parecem miniaturas de mulheres com próteses dentárias, cabelos perfeitos e rostos milimetricamente desenhados, sem sequer lembrar uma criança.
A TV parece ser a grande vilã, mas os pais têm papel determinante na hora de impor os limites. “Quem é pai ou mãe sabe que existem linhas tênues para delimitar o que os filhos querem e o que eles podem fazer. Apesar de ter uma idade em que tudo é influenciado pela televisão, vale colocar um pouco a tirania para determinar e dar direção nas escolhas”, afirma a psicóloga e pedagoga Andrea Lavor.
“A maquiagem é parte de uma brincadeira na fase da infância, e assim deve permanecer, até que essa criança entenda que o artifício para se embelezar pode representar muitas coisas na esfera social, e saiba qual a imagem que ela deseja passar. Batom ou brilho labial é uma coisa, mas quando a brincadeira passa a ser consumismo ou erotismo, é bom tomar cuidado”, adverte a pedagoga.
O dermatologista Carlos Nobre explica que a limitação se deve tanto aos fatores estéticos quanto dermatológicos. “Alguns produtos chegam a ser agressivos, e a pele da criança ainda está em processo de desenvolvimento, não está preparada para esse tipo de exposição”, alerta.
FIQUE ATENTO
- Maquiagem na escola, não! Vez ou outra é divertido, mas não deve se tornar um hábito;
- Para festinhas, a pintura é liberada, mas com bom senso. Insista na retirada completa da maquiagem antes de dormir;
- Desencoraje o uso de maquiagem pesada para "disfarçar" espinhas: a acne pode ser tratada;
- Mostre a diferença entre experimentar visuais diferentes com as amigas em casa e o que é apropriado usar fora de casa e quando;
- Exponha os males e as consequências que o uso diário de maquiagem pode trazer à pele no futuro;
- Estimule sua filha a gostar dela como ela é, destaque suas características únicas e especiais, isso vai melhorar a autoestima também. (TDB/Diário do Pará)
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