Dando continuidade a programação que antecipa as comemorações do Centenário da comunidade anglicana na região, será realizado, no próximo sábado (28) o painel “Igreja Anglicana: cem anos de presença viva na Amazônia”. Os professores acadêmicos Roseane Pinto, Genival Carvalho e Saulo Baptista, se juntam ao bispo diocesano Saulo Barros e ao jornalista Lucio Flávio Pinto, para debater os aspectos mais importantes da história da instituição, assim como o seu panorama atual.
O evento, que será realizado no auditório do CCBEU, das 9h às 12, é aberto ao público. A programação comemorativa começou no último dia 21 de abril, com a realização da “Noite do Escondidinho”, cujo objetivo foi arrecadar fundos para a festa do centenário dos anglicanos que será comemorado no próximo mês de setembro. Também está na programação uma caminhada ecológica que será realizada no próximo dia 1º de maio, no parque do Utinga, na qual participarão integrantes da comunidade anglicana.
Para o bispo diocesano Saulo Barros, o centenário é uma oportunidade de tornar a história do anglicanismo na Amazônia mais conhecido. “Creio ser de importância fundamental resgatar a nossa história e a de outras tradições religiosas não hegemônicas no nosso país, ressaltando a diversidade do nosso povo, muito mais complexa do que ensina nossos livrinhos de catequese. Religiosidade que muitas vezes foi oprimida, silenciada e perseguida”, afirmou.
História - Antes da consolidação do anglicanismo na Amazônia, os registros comprovam duas tentativas missionárias na região: a primeira em 1860, com reverendo Richard Holden no Pará. A segunda, com o reverendo Marcus Carver no Amazonas, em 1888. Holden realizou intensa atividade evangélica, porém envolveu-se em polêmicas e foi obrigado a deixar a região dois anos depois. Já Carver chegou à Manaus como missionário metodista. Mesmo abandonado pelos seus apoiadores do exterior, ele fez um trabalho independente, criando a Igreja Amazonense.
Para implantar de fato a igreja na região, em 1911, chega ao Pará o reverendo Arthur Milles Moss com o objetivo de sondar a possibilidade de uma capelania anglicana com os imigrantes, o que só seria possível no ano seguinte, quando levantou fundos para a construção da primeira igreja anglicana no Pará na área onde funcionava o cemitério britânico. No dia 2 de setembro, foi lançada a pedra fundamental do templo, mas a inauguração ocorreu somente no dia 30 de novembro de 1912, com consagração da capela em janeiro de 1913, sob a presidência do bispo inglês Dom Edward Francis Every em sua primeira viagem à Amazônia. O evento foi noticiado pelos principais jornais da época.
Em 1955 chega ao Pará o reverendo Leslie Delbert Ross Hallett, primeiro clérigo do trabalho missionário estabelecido pelos norte-americanos no Brasil, enviado pelo Bispo da Diocese Central, Dom Louis Chester Melcher. Mas foi no episcopado de Dom Edmund Knox Sherril, em 1960, que o terreno dos ingleses foi doado em definitivo para a Igreja Anglicana do Pará.
Ainda na década de 60, chega a Belém o reverendo Charles Moya. Na sua administração, foi criada a Escola John F. Kennedy e a congregação de Belém foi reconhecida como Missão Organizada da Igreja Episcopal do Brasil. A segunda comunidade anglicana na Amazônia data de 1968, com a fundação da Missão de São Lucas no bairro da Marambaia. Dois anos depois, a Paróquia de Santa Maria receberia seu primeiro pároco brasileiro: reverendo Anselmo Stein. (DOL com informações de assessoria)
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