Na próxima terça-feira, Dia do Trabalho, o salário mínimo completa 72 anos de criação, longe de ser o ideal da maioria dos trabalhadores. Em 2003, o salário mínimo era de R$ 200. Quase dez anos depois, ele está valendo R$ 622, um ganho real de apenas 65,95%.
De acordo com pesquisa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese-Pará), 1959 foi o ano em que o salário mínimo teve maior poder aquisitivo, com o que equivaleria hoje a R$1.832,40. O pior ano foi 1992, quando o salário valeu R$ 215,83.
Para o economista Oberdan Duarte, apesar de o salário mínimo não atender às necessidades básicas de uma família, ele teve recuperação. “Desde a estabilização da moeda, ele cresceu quase 10 vezes. E teve um considerável ganho real, mas por outro lado está muito aquém do que uma família precisa. A cesta básica absorve cerca de 40% do salário mínimo”, argumenta.
Mas para quem vive com um salário mínimo, a situação é mais séria do que os números apontam. Carla Nascimento é doméstica e garante que o dinheiro não chega ao final do mês. “Geralmente tenho que pedir adiantamento para minha patroa porque só um salário não dá para pagar aluguel, luz, água, escola das crianças”, declara. O salário ideal? Para Carla, o salário mínimo dos sonhos está na faixa dos R$ 1.000. “É que mesmo o salário aumentando, tudo aumenta junto, não tem muita vantagem”, afirma.
E o sonho não é só dela. Rute Helena também é doméstica e vive da mesma renda: um salário mínimo. “O meu marido é aposentado e também ganha um mínimo e mesmo assim está difícil. Ainda temos dois filhos. O básico era uns R$ 1.000 para eu pelo menos conseguir comprar minha máquina de lavar”, conta.
De acordo com o Dieese, cerca de 48 milhões de brasileiros têm rendimentos baseados no salário mínimo, que aumentou este ano. No Pará, de um total de 3,2 milhões de pessoas trabalhando, aproximadamente 1,2 milhão - o que representa 41% - recebem um salário mínimo. O Dieese estima que um salário mínimo capaz de dar conta das necessidades básicas dos trabalhadores deveria ser de R$2.295,58, valor quatro vezes maior que o atual. (Diário do Pará)
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