Uma enfermeira foi conduzida à Central de Flagrantes, em São Brás, acusada de omissão de socorro e desacato a uma guarnição dos bombeiros, depois que se recusou a receber um paciente, vítima de traumatismo crânio-encefálico, atendida pela equipe de resgate do Corpo de Bombeiros.
O subtenente Galvão disse que peregrinou por três hospitais na Região Metropolitana de Belém com Benilde José do Nascimento, de 65 anos, desde as 11h. O PSM da Cidade Nova foi a primeira unidade aonde o paciente foi levado; em seguida foram para o Hospital Metropolitano, onde a vítima recebeu o primeiro atendimento.
“Como não havia médico neurocirurgião no Hospital Metropolitano, o paciente foi encaminhado para o Hospital do Pronto-Socorro da 14 de Março, pois o caso requeria cuidados especiais”, informou o oficial dos Bombeiros.
O caso foi parar na polícia, pois, diante da situação de omissão de socorro e desacato, os bombeiros solicitaram uma guarnição da Polícia Militar para conduzir a enfermeira Jandira de Sousa Dantas até a Central de Flagrantes, onde o delegado Maury Mascote lavrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência que vai ser apreciado na justiça.
Jandira Sousa Dantas é enfermeira do HPSM Mário Pinotti, trabalhando no Setor de Acolhimento. Além da omissão de socorro ao paciente, houve bate-boca com os paramédicos do serviço de Resgate do Corpo de Bombeiros.
Segundos os bombeiros, o que mais chamou a atenção foram as palavras da enfermeira, questionando o trabalho que os militares fazem no salvamento de vidas. “Vocês só têm esse curso de bombeiros”, disse textualmente a enfermeira, que foi citada no TCO para responder dentro o que preceitua o artigo 331 do Código Penal Brasileiro.
DRAMA
O DIÁRIO acompanhou o drama, no feriado do Dia do Trabalhador, no HPSM da 14 de Março. Às 15h, sete ambulâncias permaneciam paradas em frente à casa de saúde com pacientes com os mais diversos problemas. Do município de Bujaru, a ambulância do Samu trouxe um paciente depois de passar por quatro hospitais sem atendimento.
A falta de neurocirurgião nos hospitais de urgência e emergência provocou um colapso no sistema. Dezenas de pacientes voltavam das portas dos hospitais Metropolitano, HPSM do Guamá e da 14 de Março. Maria José Lemos, que trouxe o pai de São Miguel do Guamá, se agarrava com todos dos santos pedindo para encontrar um leito e atendimento. “Isto aqui tá um inferno”, reclamava.
Nossa equipe procurou alguém no HPSM da 14 de Março que pudesse falar sobre a falta de neurocirurgião no plantão de ontem. Um segurança terceirizado se limitou a dizer: “Vão saber, porque eles estão em greve”.
Sesma diz que houve abandono de plantão
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou, através de nota, que a interrupção do atendimento no setor de neurocirurgia do Hospital de Pronto-Socorro Mário Pinotti (HPSM do Umarizal) foi devido ao abandono de plantão por parte dos profissionais, que deveriam estar à disposição para atender a população.
Ainda na nota, a Sesma esclarece que, em momento algum, recebeu notificação oficial sobre possível abandono de plantão ou paralisação das atividades por parte dos profissionais do setor de neurocirurgia, portanto, o Departamento de Assuntos Jurídicos da secretaria já oficiou notificação, informando o ocorrido à OAB Pará, Ministério Público Estadual e Federal e Conselho Regional de Medicina.
Segundo a Sesma, o contrato com os profissionais está regular e, mediante as cláusulas estipuladas, os profissionais serão administrativamente notificados por descumprimento de contrato. (Diário do Pará)
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