Um dia sem celebrações e esperança. Para um grupo de servidores da Secretaria Municipal da Saúde de Belém (Sesma), esse foi o significado de ontem o Dia do Trabalho. Reunidos em frente ao Hospital de Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, eles reivindicaram melhorias na estrutura da unidade. Em cartazes, eles reclamavam das condições de trabalho.
Segundo eles, os banheiros não funcionam, falta ar-condicionado, luz, lençóis e vários outros materiais.
“Queremos mostrar a realidade ao povo de Belém. Estamos fazendo uma parceria com os usuários porque queremos que a sociedade saiba que a saúde está um caos. Não acreditamos mais na gestão atual, por isso nem tentaremos uma reunião. Nosso objetivo é redigir um documento detalhado das nossas condições e entregar a todos os pré-candidatos à prefeitura este ano”, explica Carlos Haroldo, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde no Estado do Pará (Sintesp).
Além da falta de condições técnicas para o trabalho de qualidade, os manifestantes ainda denunciavam falta de profissionais. “O PSM não tem mais neurologistas. Ele deixou de fazer um trabalho essencial à população, que agora não pode contar com nenhum dos dois PSM para esse serviço de alta complexidade”, afirmou.
“Os equipamentos não funcionam por falta de manutenção. A Sesma não faz licitação para convênios”, denunciou um dos manifestantes durante o discurso.
Para a doméstica Elisângela Silva e o pedreiro Luciano Maciel, o dia do protesto foi uma péssima escolha. Há mais de duas horas cada um deles aguardava os respectivos cônjuges, que no início da manhã deram entrada no hospital com fraturas e ainda não tinham sido atendidos.
“Não nos deixam entrar porque não querem mostrar a realidade lá de dentro. Vamos ter que ficar esperando no sol até termos alguma notícia”, afirmava Elisângela. Segundo ela, o único médico que estaria atendendo passou mal e necessitou ele próprio de cuidados, prejudicando ainda mais os pacientes. “Ainda há pouco um senhor demorou pra ser atendido e saiu morto daqui da frente. Esse pronto-socorro é uma vergonha mesmo, nunca muda”, criticou Luciano.
SESMA
Em resposta ao ato, a Sesma declarou que considera legítimas as manifestações da classe trabalhadora, que possui o direito constitucional de realizar manifestações nesta data, 1º de maio. Sobre as denúncias, a secretaria ressalta que não recebeu nenhum comunicado do grupo de manifestantes e que amanhã participa de uma reunião com representantes do Sindicato dos Médicos para avaliar e sanar denúncias da categoria médica municipal de Belém. (Diário do Pará)
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