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Mais de 1,7 milhão de pessoas no Pará têm algum tipo de deficiência, seja ela visual, auditiva, motora ou mental, conforme revelaram os últimos dados do Censo 2010 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São cidadãos que ne

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Mais de 1,7 milhão de pessoas no Pará têm algum tipo de deficiência, seja ela visual, auditiva, motora ou mental, conforme revelaram os últimos dados do Censo 2010 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São cidadãos que necessitam de políticas públicas que possam garantir acessibilidade. A exemplo da amostra nacional, que apontou a existência de mais de 35,7 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência visual, no Pará este tipo de deficiência também foi a que mais apareceu entre as respostas dos entrevistados, cerca de 1,4 milhão de pessoas.

O presidente da Associação Paraense de Pessoas com Deficiência (APPD), Amaury Filho, contesta o IBGE. Para ele, esses números não representam a realidade, já que o IBGE considera critérios próprios para definir se alguém é deficiente ou não. “Acredito que este número seja menor, se for levada em conta a legislação vigente sobre quem pode ser considerado deficiente. Pessoas que utilizam óculos ou lentes de contato não podem ser consideradas deficientes, apenas nos casos em que, mesmo com o uso destes acessórios, a visão continue comprometida”, reiterou.

No relatório do Censo 2010, o IBGE informou que realizou o levantamento levando em consideração os graus de severidade da deficiência. O IBGE considera com deficiência severa pessoas que declararam as opções de resposta “sim, grande dificuldade” ou “sim, não consegue de modo algum” para as deficiências visual, auditiva e motora ou declararam ter deficiência mental.

POLÍTICAS
Discussões à parte, o número alto de pessoas com deficiência é preocupante pela falta de estrutura necessária para que elas façam uso de espaços públicos, especialmente em Belém. Pelo menos é nisso que acredita a arquiteta Aila Seguin, que estuda o tema há alguns anos. Mestre no assunto, ela enfatiza que a acessibilidade vai muito além da capacidade que o ambiente possui em permitir que pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida possam usufruir de produtos, serviços e informações. “Entende-se no conceito de acessibilidade a garantia do uso efetivo de todo esse equipamento público por todas as parcelas presentes em uma determinada população”, destaca.

Segundo Aila, a capital paraense está longe de se tornar receptiva e adaptada à mobilidade das mais de 300 mil pessoas com deficiência que habitam a cidade. “Não se trata apenas de calçadas adaptadas e rampas, que são uma bandeira de luta histórica, por exemplo. Tentou-se fazer algo do tipo na cidade, mas tudo sem planejamento estratégico, muito aquém da real necessidade dessas pessoas”, disse. Para ela, existe legislação suficiente para garantir os direitos desses cidadãos, mas não há fiscalização. “Os obstáculos vão desde o preconceito até o atravessar de rua”, dispara.

A arquiteta conta que o assunto tem sido pautado pelo poder público constantemente nos últimos anos. “Mas aqui em Belém tomou um rumo diferente, de cunho político. Para começar, seria necessário conscientizar a população quanto às calçadas e não empurrar as vias para cegos sem que ninguém entendesse o funcionamento”.

NO ESCURO
Sorridente, o técnico automotivo Domingos Bueno, de 59 anos, anda pela capital paraense sem medo. Atravessa ruas, pega ônibus, vai de um lado para o outro. Cego há oito anos, depois de um acidente de carro, Domingos reconhece a cidade, mas é incapaz de mensurar os perigos que gestos simples podem representar para sua vida.

Corajoso, ele se recusa a aceitar ajuda em todos os trajetos. “A não ser quando a calçada é como esta, ou preciso atravessar a rua”, conta, tentando apontar para os buracos no chão, descobertos com o toque da bengala. O local, situado em zona nobre de Belém, fica no entorno da maior biblioteca pública do Estado, que possui um vasto acervo bibliográfico adaptado para cegos.
“Não é só aqui esse problema, encontramos em várias partes da cidade. Quer ver na hora de pegar um ônibus, não me acostumo a ter que pedir ajuda de outras pessoas para subir ou descer”, desabafa. (Diário do Pará)

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