Onze anos de muitas conquistas, consolidação e expansão. Foi assim que, no último dia 17 de abril, a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) celebrou seu aniversário. Entre as comemorações pela data estão a instalação de novos campi no interior do Estado, o aumento no número de vagas ofertadas e a instituição de cursos que ultrapassam as barreiras agrárias e tentam suprir a demanda regional. Para o reitor Sueo Numazawa, engenheiro florestal, o cenário atual é apenas um indício de que o ensino superior público no Norte ainda irá se desenvolver mais e que o mercado, enfim, poderá contar com profissionais cada vez mais qualificados e inovadores.
P: Como o senhor analisa a trajetória da instituição, desde a época em que era Escola até sua consolidação como Universidade, uma década atrás?
R: Nesses 61 anos a UFRA passou 50 como escola de agronomia. Depois, veio faculdade de ciências agrárias. Eagora, universidade rural. A grande diferença da mudança é a autonomia que a universidade tem. Antes, nosso diploma não era nem registrado, tinha que ir par a UFPA (Universidade Federal do Pará). Com essa autonomia maior tivemos condições de crescer. Como somos de ciências agrárias, o primeiro plano feito foi de expandir para os interiores. A partir de 2003, começamos a atuar em Santarém, hoje incorporado na UFPA. Criados também o Campus de Parauapebas e de Capitão Poço. A partir de 2007, criamos mais o Campus de Paragominas. Com esse recurso conseguimos aumentar os cursos nos campi já existentes. Então, hoje temos 6 cursos de graduação nos interiores. Mas o programa Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) encerra esse ano e a UFRA se preocupa em dar continuidade à expansão, no sentido de melhorar qualidade e aumentar números de cursos. Por isso trabalhamos muito com Ministério da Educação para garantir recursos a fim de consolidar a estrutura da universidade, na própria sede. Até 2014, a nossa ideia é aumentar alguns cursos com base no projeto de lei que tramita no Congresso Nacional, que garante mais professores no nível superior. E uma grande coisa nele é que a presidente Dilma e o ministro da educação Aluizio Mercadante se preocupam bastante com assimetria regional. O norte para eles é prioridade sim, para desenvolver a região, e desenvolvimento no sentido de que educação é fundamental. Por isso, as universidade do Norte, que são 9 no total, deverão ter um tratamento diferenciado para que a assimetria em relação ao sudeste seja reduzida. Esse é o grande trunfo que temos hoje.
P: Quantos cursos a UFRA conta atualmente?
R: Quatorze cursos, sendo 8 na sede e 6 nos interiores.
P: E os novos campi?
R: Os novos campi de Capanema e Tomé-Açu são projetos muito sólidos, aprovados pela presidente Dilma em agosto do ano passado, junto com outros 45 campi em todo o Brasil. Os dois foram criados através de projeto que já diz quanto vai ter de infraestrutura, quanto teremos de recurso para custeio, quantos professores, em função do número de alunos. É a grande diferença em relação ao Reuni, que foi feito com base no orçamento da instituição e nos prejudicava porque tínhamos orçamento muito pequeno. Agora não, o dinheiro vem do MEC e é colocado na universidade.
P: A expectativa é de que eles comecem a funcionar quando?
R: O campus de Capanema já está em andamento, com recurso para construção de quatro ou cinco blocos e o vestibular já sai este ano para quatro cursos. E até em 2014 nossa intenção é atingir pelo menos cinco graduação. Já Tome-Açu farei em breve a pactuação. Propusemos oito cursos e aguardamos a aprovação. A princípio esperamos também cinco cursos até 2014, se não, até 2016. Ou seja, nossa previsão é de vestibular em 2013, para começar o curso em 2014.
P: Nos últimos anos a Ufra investiu em outros cursos como Informática e Contabilidade, que aparentemente não estão ligados à questão agrária. Queria que o senhor explicasse se na verdade eles têm foco específico para a área ou foram instituídos para suprir demanda.
R: Na realidade, a universidade apesar de ser agrária tem plena autonomia para criar qualquer curso. É claro que os cursos que nós vamos criar ainda estão muito devagar para atender uma demanda de interligação com nossos cursos. Por exemplo, licenciatura em informática agrária é voltada para área. Já Ciência da Computação não, atinge todos os cursos. Fora isso, estamos entrando com Engenharia Ambiental, que tem uma relação muito grande conosco. Em Tomé-Açu vamos criar um novo curso, que é Engenharia Agrícola, para atender a microrregião que será dominada pelo programa de Biodiesel.
É uma graduação interessante para a região, porque atinge outros municípios próximos. O mesmo ocorre com Capanema, que atinge 13 cidades do entorno. A nossa intenção em nossos interiores é entrar em outras áreas, que não são nossas mais têm muita demanda por profissionais, como Administração e Ciências Contábeis. Hoje, não dá mais para trabalhar restrito em Ciências Agrárias. É lógico que o nosso foco ainda é Agrária, mas estamos entrando em todas as áreas que ainda necessitem de expansão.
P: O senhor acha que demorou a ocorrer os investimentos que estão sendo feitos na instituição, levando em conta a importância estratégica que ela exerce na região?
R: Como universidade não. Foi muito rápido. De certa forma até preocupa a gente, porque cresce muito rápido. Se ficasse como faculdade com certeza ainda estaria muito restrita. Mas como universidade há uma resposta muito eficiente. A grande vantagem que nós temos, o privilégio, é que há determinação do governo federal em fortalecer as universidade federais, que concentram hoje 80% das pesquisas. Então, a presidente se preocupa com isso. Recentemente, foi lançado o programa Ciências sem Fronteiras, que tem 100 mil bolsas, e nós já temos isso na UFRA. Estamos mandando alunos para os Estados Unidos, Espanha e Colômbia. Então isso é uma forma de fazer com que nossos alunos não fiquem restritos só aqui e tenham contato com outra língua, outra cultura, tecnologia. Ou seja, isso é realmente o desenvolvimento acadêmico importante para a gente. Além disso, a pós graduação tem sido muito bem trabalhada, com incentivo muito forte. Inclusive projetando-a para o interior daqui a 2, 3 anos.
P: Analisando o outro lado. Quais os empecilhos que o senhor acha que ainda existem na região e nas instituições de ensino? Ouvimos muitos questionamentos acerca da infraestrutura disponibilizada aos discentes.
R: Existem realmente muitas coisas que ainda precisam avançar. Um dos fatores pelos quais vou primar até o final do meu mandato, que vai até o ano que vem, mas deixar também para o reitor que vem depois, é um programa de qualidade de ensino. Já mudamos muito essa questão. Hoje se você pegar um aluno iniciante e um concluinte, fazer uma entrevista com eles, há uma grande diferença entre o resultado obtido há alguns anos. Não quero desmerecer ninguém, é uma questão de oportunidades. Eu tive, eu fiz. Mas hoje temos salas de aula equipadas, modernas. Mas esse é o mínimo que temos que fazer. Ainda precisamos equipar melhor todos os laboratórios, apesar de já contarmos com alguns de ponta. Isso é muito importante para universidade. Fortalecemos a pós e a graduação. Há realmente muito a fazer, mas nos novos campi, por exemplo, não teremos mais esses problemas de infraestrutura porque tudo já está previsto. Hoje ainda temos dificuldades em Parauapebas, por exemplo, porque lá o campus fica distante 11 quilômetros do centro da cidade. Aí da pista até os prédio são 2 quilômetros de estrada sem asfalto. Estou indo a Brasília justamente pedir R$ 2 milhões para resolver isso. Resumindo, queremos ir além, mas muitos avanços já foram feitos.
P: Com o senhor analisa o cenário da região para absorver todos esses profissionais?
R: Os cursos que estamos implementando, como Engenharia Agrícola, serão muito importante para isso. Eles trazem desenvolvimento muito grande para o processo produtivo. No caso de Engenharia Ambiental também há muita necessidade, porque ela atua em vários ramos, do urbano ao florestal. Em relação aos profissionais, até 2017 teremos aproximadamente 40 cursos na universidade, tanto na sede como interiores. A ufra é a universidade rural que tem mais campi no Brasil. Agora, se justifica devido à dimensão territorial, e eu ainda tenho muitas demandas de diversas prefeituras pedindo instalação de campus. Só que a Dilma Pedindo abertura de novos campi. Só que a Dilma estabeleceu que até o final do mandato dela seriam abertos 47. Nós mandamos quatro pedidos e conseguimos aprovação de dois. É possível que a parir de 2014 outras novidades venham. Nos próximos anos passaremos de uma universidade pequena para uma média, com até 10 mil alunos. Hoje, com os novos cursos e pós, chegaremos a 4 mil. Ainda é uma instituição pequena, mas a importância que ela tem na região é enorme. Tenho conversado com os reitores de Roraima, Acre, e eles encontram dificuldades ainda maiores para contratar professores, porque fora da capital a estrutura é muito reduzida. Mas hoje já estamos conseguindo fixar nossos discentes nas cidades onde trabalham. Parauapebas, Paragominas são exemplos. Mas o cenário que eu vejo dentro do Plano Nacional de Educação, a UFRA daqui há 7 anos será uma universidade presente em todos os setores de ensino.
P: Em relação aos programas de extensão. Quais projetos de cunho social, que atendem, por exemplo, a comunidade vizinha aos campi a UFRA realiza?
R: Nós temos vários trabalhos, inclusive com o governo do Estado. Temos programa de economia solidária que trata da capacitação com recursos humanos para melhorar a qualidade de vida e de renda. Temos também trabalhos com a comunidade do entorno. Quando comecei na minha gestão contávamos com 33 bailarinos, num projeto de balé em parceria com o governo estadual. Hoje são mais de 140. E já mandamos duas classificadas para os estados Unidos, numa seleção que envolvia todo o Brasil. Existe também atividades de natação, voleibol, futebol de salão.... Tudo com a comunidade do entorno. (Diário do Pará)
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