Atualmente, cada vez mais o mercado de trabalho tem exigido de seus profissionais maior qualificação em termos de pós-graduação. Quem pensa que, para ter uma boa formação nesse nível, é preciso sair do Estado e até do País, uma boa notícia: a pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) está crescendo no Brasil e a Universidade Federal do Pará (UFPA) tem liderado esse crescimento na região amazônica.
"Para se ter uma ideia, no ano de 2001, a UFPA tinha 23 cursos de pós-graduação stricto sensu, sendo 16 cursos de mestrado e sete, de doutorado. Em 2011, uma década depois, passamos para 78 cursos, sendo 52 de mestrado e 26 de doutorado". O cenário promissor é descrito pelo pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFPA (Propesp), professor Emmanuel Tourinho, para quem tal crescimento é resultado, sobretudo, da formação e consolidação dos grupos de pesquisa acadêmicos no País.
Segundo o pró-reitor, somente nos últimos três anos, a UFPA abriu 24 novos cursos de pós-graduação, sendo nove deles de doutorado. "Já temos dois novos cursos de mestrado autorizados para iniciar em 2012, além de outras propostas em exame pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Um desses cursos novos é o Mestrado em Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia, o primeiro do Campus de Marabá, com o que avançamos na interiorização da pós-graduação stricto sensu", destaca.
O fato de existir, hoje, na UFPA, um maior número de cursos de mestrado do que de doutorado indica que muitos de seus grupos de pesquisa ainda se encontram em processo de consolidação. "São grupos mais jovens do que os encontrados nas instituições que têm maior número de doutorados, em geral, constituídos por docentes recém-titulados", explica Tourinho. Dar tempo e condições de trabalho para o amadurecimento científico desses jovens pesquisadores, portanto, é uma das estratégias para que, em um curto prazo, a Federal Paraense possa aumentar a proporção de programas que ofereçam também o doutorado.
Outro desafio, além de expandir o alcance da pós-graduação com a interiorização, é formar e fixar os novos pós-graduados para atuarem na Amazônia, uma vez que as Regiões Sul e Sudeste do País oferecem mais atrativos a esses profissionais.
Perspectiva é aumentar número de doutores no Estado
No Estado do Pará, atualmente, há menos de dois mil doutores em atuação no mercado. No entanto, em estudo na UFPA, são mais de 1.100 alunos de doutorado. "Isso significa que, em, no máximo, quatro anos, poderemos aumentar em mais de 50% o número de doutores no Estado", espera o pró-reitor.
Para Emmanuel Tourinho, em qualquer sociedade, há forte correlação entre a proporção de doutores e os indicadores econômicos e sociais, de modo que o crescimento da pós-graduação na região demonstra que a UFPA tem-se esforçado para criar condições de melhoria do quadro econômico e social no Pará e na Amazônia. "Só com a pesquisa, formaremos os recursos humanos necessários para forjar um novo projeto de desenvolvimento, baseado na sustentabilidade e na inclusão social", afirma.
Entre as metas da UFPA para 2012, está a abertura de novos programas de pós-graduação aliados às demandas do Estado e da Amazônia. Os investimentos atuais concentram-se na formação e consolidação de novos grupos de pesquisa e na qualificação dos programas de pós-graduação existentes, fomentando a internacionalização e o cumprimento de metas acadêmicas, por meio de um Programa de Acompanhamento Institucional, com a participação de consultores externos.
Outra novidade é o Mestrado Profissional em Gestão Pública, que acaba de abrir sua primeira turma em Belém. A oferta de mestrado na categoria "profissional" também teve um crescimento significativo na UFPA. É o que explica o diretor de Pós-Graduação, professor Pedro Walfir: "A UFPA ofertava dois cursos em 2009. Atualmente, são sete cursos nas áreas Multidisciplinar; de Engenharia, Ciências Sociais, Administração e Ciências Exatas e da Terra".
O Mestrado Profissional visa formar um profissional para atuar, de forma inovadora, no mercado de trabalho. Hoje, a UFPA tem uma política que acolhe a expansão dessa modalidade de curso, visto que ela aproxima a competência científica e tecnológica das demandas dos vários setores da sociedade. "O Mestrado Profissional, segundo a Capes, objetiva formar profissionais com ênfase em princípios como os de aplicabilidade técnica e de flexibilidade operacional, os quais são de suma importância para a capacitação da mão de obra da região", complementa o diretor.
Programa interinstitucional com a UFAM é destaque
A UFPA também participa de programas de pós-graduação interinstitucional, ou seja, aqueles desenvolvidos mediante parcerias com outras instituições, a exemplo, o da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com quem oferta os cursos de Doutorado em Matemática e Mestrado em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia. Além disso, há programas de pós-graduação ofertados por uma rede de instituições, como o Programa de Mestrado Profissional em Matemática e o Programa de Doutorado em Educação em Ciências e Matemática.
Segundo o diretor Pedro Walfir, um programa de pós-graduação interinstitucional é submetido à Capes quando uma instituição, sozinha, ainda não tem um corpo suficientemente qualificado para ofertar um curso. Desta forma, o grande benefício é poder associar instituições com o intuito de prover programas de pós-graduação de qualidade, de forma independente e mais ágil, promovendo o desenvolvimento da região, com base no conhecimento científico, tecnológico e de inovador.
Um caso de destaque na UFPA é o Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular (PPGBM). O PPGBM completa 11 anos em 2012, "ele foi criado com uma expansão do seu grupo de pesquisadores e já classificado como nível 4 pela Capes. No ano de 2007, recebeu a classificação de nível 5, o que reflete a qualidade do trabalho desenvolvido", relata o coordenador, professor Sidney Santos.
A perspectiva é que, no final de 2012, o Programa evolua ao nível 6. Hoje, o PPGBM tem 66 alunos de mestrado e 58 alunos de doutorado desenvolvendo trabalhos que vão desde a Genética Humana até a Genética de Micro-organismos, de modo que a UFPA possui um dos mais importantes grupos brasileiros de pesquisas em Genética e Biologia Molecular.
"Em uma região como a Amazônia, onde os recursos genéticos (e o uso potencial desta diversidade) ainda são pouco conhecidos, são importantes a permanência e a expansão de grupos de pesquisa que permitam aumentar a fronteira do conhecimento ao mesmo tempo em que aumentam a formação de recursos humanos aptos a desenvolver novos conhecimentos nessa área", ressalta o professor Sidney.
Produtividade - De acordo com a Diretoria de Pós-Graduação da UFPA, outro destaque é o Programa de Pós-Graduação em Matemática (PPGME), curso de doutorado desenvolvido em conjunto com a UFAM. O Programa tem professores com bolsas de produtividade do CNPq e membros da Academia Brasileira de Ciências. Além disso, possui inúmeros projetos aprovados e financiados pelas Agências Nacionais de Fomento à Pesquisa, bem como promove eventos científicos anuais que reúnem pesquisadores do Brasil e do exterior.
"Olhamos para o futuro com muita esperança e focados no nosso objetivo principal - criar condições para a consolidação do Programa e a obtenção de um conceito elevado na avaliação da Capes. Isso deverá ocorrer em 2016, quando os primeiros alunos já tiverem defendido e publicado suas teses", explica o professor Giovany Figueiredo, coordenador do PPGME. "Como consequência desse esforço, esperamos que este Programa de doutorado se desdobre em dois bons programas: um, na UFPA; e outro, na UFAM". A perspectiva é que o PPGME possibilite a formação de recursos humanos qualificados para suprir as necessidades das instituições universitárias do norte do País.
(Ascom Ufpa)
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