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Pesquisa investiga febres hemorrágicas

Os indivíduos picados pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, transmissores do vírus da dengue, podem manifestar sintomas variados da doença, bem como apresentar qualquer uma das modalidades da enfermidade, ou seja, a clássica, a hemorrágica ou

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Os indivíduos picados pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, transmissores do vírus da dengue, podem manifestar sintomas variados da doença, bem como apresentar qualquer uma das modalidades da enfermidade, ou seja, a clássica, a hemorrágica ou a severa. Outra possibilidade, como decorrência do contato com o mosquito infectado, é o indivíduo não manifestar sintomas da doença mesmo inoculado com o vírus. Assim, quais serão os fatores que determinam a manifestação ou não da dengue em suas diferentes formas?

Essas são algumas das questões estudadas no Projeto Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Febres Hemorrágicas Virais, coordenado pelo pesquisador Pedro Fernando da Costa Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas (IEC). A iniciativa, sediada e executada no Instituto, conta com a parceria de cinco laboratórios, os quais desenvolvem pesquisas, por meio de sete subprojetos, no âmbito das febres hemorrágicas virais que ocorrem no Brasil – dengue, febre amarela, hepatites virais B e D, hantaviroses e patologia das febres hemorrágicas virais.

O Laboratório de Genética Humana e Médica do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal do Pará (UFPA) é um desses parceiros. Sob a responsabilidade do professor Eduardo José Melo dos Santos, o Laboratório desenvolve o Subprojeto Desenvolvimento de estudos genéticos para associação de polimorfismo de genes KIR e seus grupos de ligantes HLA-C com Dengue.

Eduardo Santos afirma que a pesquisa busca "conhecer quais são os fatores genéticos presentes no hospedeiro, os quais diferenciam um indivíduo do outro e determinam ou não o desenvolvimento da dengue no organismo infectado pelo vírus. O estudo também objetiva identificar quais fatores influenciam o aparecimento de uma forma mais branda ou grave da enfermidade, ou seja, a modulação da evolução da doença".
Foram realizados exame laboratorial e estudo genético

De acordo com o Ciclo da Dengue, o vírus, que é transmitido pela picada do mosquito infectado, acomete células da pele e, posteriormente, replica-se pelo organismo do hospedeiro, infectando várias outras células. Assim, com a inoculação do vírus, os indivíduos podem ou não desenvolver a doença. Caso manifestem, a enfermidade pode ser a clássica (a mais comum), a hemorrágica (com sangramento em várias regiões do corpo, como na gengiva e na área nasal, e pode levar à morte) ou a severa, que engloba a hemorrágica e configura-se pela síndrome de choque pela dengue, desencadeada pela queda da pressão arterial, também pode ser fatal.

Em relação a esses tipos, o professor diz que, dentro da modalidade clássica, podem existir variações de sintomas. "Quem manifesta a forma mais comum da dengue pode ter alguns ou todos os sintomas, como febre, vômito, dores na cabeça, nos músculos, nas articulações e coceira", explica Eduardo Santos.

Conforme explica o coordenador, ao se conhecer os fatores genéticos que influenciam na manifestação da doença em um indivíduo, é possível sinalizar se esta pessoa, por exemplo, tem mais chances de desenvolver a dengue clássica ou hemorrágica. Com a identificação do tipo, a partir das características genéticas do paciente, é viável fazer considerações sobre a evolução do quadro clínico e, assim, oferecer um tratamento médico especializado.

O Subprojeto é um estudo classificado como Caso-Controle. De acordo com o professor, com esta metodologia, é realizada a comparação entre grupos de pessoas. Assim, para a pesquisa, foram considerados três grupos: o primeiro foi composto por indivíduos que não estavam com dengue e nunca reportaram ter tido sintomas da doença; ao segundo, integraram-se pessoas com diagnóstico para a modalidade clássica e o terceiro grupo reuniu sujeitos com dengue hemorrágica. Participaram da pesquisa cerca de 220 indivíduos, abordados durante a visita ao atendimento médico no Instituto Evandro Chagas. Dessas pessoas, foram coletados dados clínicos laboratoriais e, posteriormente, fora realizado um estudo genético, com a extração do DNA.
Proteção está no contole da proliferação do mosquito

Por meio de inúmeros testes, levando em consideração os dados clínicos e genéticos, o Laboratório de Genética Humana e Médica, do ICB, chegou a dois resultados principais: "Encontramos um fator genético muito importante, o qual serve de proteção. Assim, o indivíduo infectado pelo vírus da dengue, com essa característica, tem uma chance menor de manifestar a doença. Outro fator genético encontrado é o que trabalha modulando o quão exuberante vai ser o quadro clínico de pacientes que apresentam a dengue clássica", revela Eduardo Santos.

Segundo o pesquisador, a dengue figura entre as principais doenças, transmitidas por insetos, em número de incidência no mundo. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, há mais de dois bilhões de pessoas no Planeta vivendo em regiões suscetíveis ao contato com o vírus, e mais de 200 milhões de indivíduos que apresentam alguma forma da doença.

"Essas regiões vulneráveis à dengue são as de área tropical, a única por onde o mosquito circula. Os países localizados nela são economicamente pouco privilegiados e apresentam serviços básicos, como a saúde, deficientes. Além disso, muitos governos priorizam outros problemas, considerados, em determinados contextos, mais sérios. Por isso, a dengue configura-se como uma doença negligenciada", analisa o professor.

Pesquisas – O docente ressalta que a negligência em relação à dengue é reforçada por outros países. De acordo com ele, países desenvolvidos, a maioria localizada fora da faixa de risco de exposição ao vírus, tem preocupação e interesse menores em realizar estudos sobre a doença.

Eduardo Santos ressalta que a melhor proteção contra a dengue é o controle da proliferação do mosquito com medidas simples, como manter totalmente fechadas cisternas e caixas d’água e não acumular latas, pneus e garrafas, especialmente, durante os períodos chuvosos.

O docente acredita que a pesquisa sobre dengue permitirá a realização de tratamentos direcionados aos indivíduos infectados com o vírus e acometidos pela doença, de acordo com o quadro da infecção e da evolução da enfermidade. "Mas tudo o que se puder produzir, resultante das pesquisas executadas, como medicamentos novos e testes preditivos para saber qual tipo de dengue o indivíduo apresenta, significa um custo. Assim, com certeza, é recomendável nunca esquecer a implementação de ações preventivas eficazes", finaliza Eduardo Santos.

Saiba mais – Além do Laboratório de Genética Humana e Médica, integram o Projeto o Laboratório de Neuroanatomia, também do ICB, coordenado pelo professor Cristovam Diniz, e os Laboratórios de Farmacodinâmica e de Epidemiologia Molecular da Universidade Estadual de Santa Cruz, na Bahia, e o Laboratório de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Já o Instituto Evandro Chagas, setor de Arbovirologia, é responsável por três subprojetos.

(Ascom Ufpa)

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