Motoristas e cobradores de Belém continuam em greve nesta quinta-feira (10) e os transtornos para usuários do transporte público na Região Metropolitana serão ainda maiores, pois os rodoviários de Ananindeua e Marituba também iniciaram paralisação a meia noite.
A reunião da tarde ontem, que deveria ter dado rumo à negociação entre a categoria e o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém (Setrans-Bel), não obteve sucesso, por isso ainda não há acordo previsto entre as duas partes. Trabalhadores rodoviários e policiais militares da Ronda Tática Metropolitana (Rotam) entraram em conflito em frente ao Tribunal Regional do Trabalho, na Praça Brasil, bairro do Umarizal.
A confusão impossibilitou a continuidade das negociações entre empresários e rodoviários em greve, que aconteciam a portas fechadas, na sede do tribunal. Bombas de efeito moral, spray de pimenta e balas de borracha foram lançados contra os manifestantes, que reagiram avançando contra a força policial.
Desde o início da greve, os rodoviários deveriam garantir frota de pelo menos 50% de ônibus nas ruas de Belém, mas a assessoria do Setrans-Bel garantiu que não há mais de 5% de ônibus circulando pela cidade. A população tem enfrentado sufoco por conta da falta das frotas nas ruas. As paradas dos ônibus estão constantemente lotadas e a rotina da cidade sofre com as dificuldades de locomoção pelo transporte público.
Os trabalhadores exigem aumento de 10% e reajuste do vale refeição de R$ 310 para R$ 450. As negociações continuam a partir das 8h30 de hoje, em nova reunião no TRT. Dessa vez, a categoria pretende manter a ordem para que seja possível avançar nas negociações, mas, segundo alguns diretores, a greve será radicalizada hoje.
Desde a madrugada os rodoviários começaram a se concentrar na Praça do Operário, deixando somente que a comissão de negociação permaneça na Praça Brasil. Segundo a Companhia de Transportes do Município de Belém, cerca de 700 mil pessoas estão sendo prejudicadas pela greve em Belém.
TUMULTO
Segundo o major Celso Machado, da PM, a confusão na tarde de ontem entre polícia e rodoviários começou após a tentativa de desobstrução da rua em frente ao tribunal, que estava interrompida por manifestantes. “Resolvemos reuni-los no centro da praça, quando iniciou uma discussão acalorada e alguns deles visivelmente alcoolizados começaram a gritar e a ofender. Estamos aqui para garantir ordem e segurança, não para agredir ninguém, mas foi preciso contê-los, para isso utilizamos métodos de contenção”, explicou.
Os olhos de um dos diretores do sindicato, William Ribeiro, ainda ardiam quando ele seguiu em caminhada junto com os demais manifestantes que estiveram no local rumo à Praça do Operário, em São Brás. “Eles foram truculentos, nos agrediram, vamos cobrar deles na justiça tudo o que fizeram contra nós. Somos um movimento popular que quer garantir direitos e qualidade de vida, não merecíamos isso”.
(DOL, com informações do Diário do Pará)
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