O presidente do PTB do Pará, o prefeito de Belém Duciomar Costa, classificou como remota a possibilidade de que o ex-governador Almir Gabriel venha mesmo a ser o candidato da legenda na disputa à prefeitura de Belém.
Em entrevista ao DIÁRIO, concedida na manhã de terça-feira (10), Duciomar afirmou que a resistência viria do próprio Almir e de parte da família do ex-governador, que estaria preocupada com os desgastes que uma campanha poderia causar à saúde dele, já que o ex-tucano estaria com problemas de diabetes. “Acho muito remota a possibilidade de ele ser candidato. Muito difícil. E essa colocação não é, minha, Duciomar. É dele, Almir Gabriel. São razões que não sou eu quem vai discutir”, disse o prefeito.
Indagado se não poderia passar a impressão de que teria traído o ex-governador, uma vez que passou a ideia de ser um entusiasta da candidatura dele e agora trabalharia nos bastidores em busca de outros candidatos, Duciomar disse não acreditar em um rompimento com Almir, com quem, afirma, nunca discutiu.
“Não sou eu quem está desconstruindo essa candidatura. Fui eu mesmo que incentivei, como tenho incentivado todos aqueles que querem ser candidatos, ainda mais sendo uma pessoa do quilate do doutor Almir. Na verdade, por vontade dele, eu digo que é muito difícil ele ser o candidato. Nós temos que respeitar as questões dele com a família. Ele tem vontade de ser candidato, mas existe toda uma preocupação da família”, disse Duciomar.
Em entrevista ao DIÁRIO na última quarta-feira, o ex-governador Almir Gabriel negou que cogite desistir de ser candidato. Ontem ele não foi encontrado pela reportagem para comentar as declarações do prefeito.
O DIÁRIO apurou que, na última segunda-feira, Duciomar Costa teve um encontro com o vice-prefeito Anivaldo Vale (PR), a quem teria proposto a candidatura com apoio oficial. Vale ainda depende de discussão partidária para tomar uma decisão.
ENCONTRO
Duciomar confirmou o encontro e, embora ressaltando o tempo todo que o PTB ainda não fechou questão em torno de nomes, fez elogios ao vice e defendeu que a escolha do candidato leve em conta os partidos aliados do governo municipal e não apenas o PTB, legenda à qual é filiado.
“Encontros a gente tem sempre. A relação com o vice Anivaldo é muito boa, estreita. Diariamente conversarmos, quando não pessoalmente, por telefone, e lógico que se conversa sobre política”, disse, ao ser indagado sobre a reunião de segunda-feira. “É legítimo colocar (na disputa) o nome do vice (Anivaldo), pela parceria. Os parceiros têm que estar envolvidos nessa discussão. Acho muito justo isso até pela trajetória política que a gente tem.
POTENCIAL
“Seria um candidato com potencial muito grande, mas a discussão tem que primeiro passar pelo partido”. Duciomar ressaltou que uma possível candidatura de Anivaldo não seria um plano B. “Seria o Plano A, até mesmo porque não tinha um plano ainda definido. O PTB nunca afirmou: temos um candidato. Temos bons nomes, mas nunca afirmamos uma candidatura nem de A, nem de B. Isso só vai ser decidido nas convenções”.
Sobre possíveis reações contrárias dentro do PTB a um candidato de fora da legenda, o prefeito garantiu que essa questão pode ser resolvida com conversas e debates internos. “Na política, se você conseguisse colocar Jesus Cristo como candidato, teria pessoas contra. Resistências vão haver sempre. Isso é natural”, disse, reafirmando defender que a escolha do candidato passe não apenas pelo PTB, mas pelos partidos aliados. “Nós não administramos sozinhos. Os resultados que obtemos são fruto de um conjunto. Temos ajuda de pessoas que compartilham de um projeto”.
(Diário do Pará)
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