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Depois de 35 horas, rodoviários ganham aumento

Está aprovada essa proposta do tribunal (Tribunal Regional Eleitoral). Foi aprovada, aqui, pela categoria”. Após 35 horas de paralisação, com essa frase foi dada por encerrada a greve dos rodoviários de Belém, no final da manhã de ontem. Iniciada às 0h da

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Está aprovada essa proposta do tribunal (Tribunal Regional Eleitoral). Foi aprovada, aqui, pela categoria”. Após 35 horas de paralisação, com essa frase foi dada por encerrada a greve dos rodoviários de Belém, no final da manhã de ontem. Iniciada às 0h da última quarta-feira, a mobilização teve fim com a aprovação, pela categoria, da proposta apresentada em reunião realizada entre representantes do Sindicato dos Rodoviários de Belém e do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setrans-Bel), sob a mediação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Com a decisão, o retorno da circulação normal das linhas de ônibus de Belém estava programado ainda para a tarde de ontem.

Em cima de um trio e diante da grande quantidade de rodoviários que aguardavam uma boa notícia na Praça do Operário, em São Brás, no final da manhã, o presidente do sindicato dos rodoviários, Altair Brandão, apresentou as possibilidades apontadas na reunião que durou pouco mais de quarenta minutos. “O ticket alimentação aumenta de R$310 para R$345, o repasse para a clínica médica passa de R$135 mil para R$150 mil, o não desconto dos dias parados e o que mais nos preocupa é isso: o reajuste salarial não saiu dos 6%”, informou. “Temos que ver que o INPC ficou em 4,88%. Se não aceitarmos o que pode acontecer é ir para julgamento e disseram na minha cara, no tribunal, que, se for pra julgamento, o máximo que podemos conseguir é o arredondamento do reajuste para 5% para tudo e ainda com o desconto dos dias parados”.

TODOS SATISFEITOS
Diante dos números e das circunstâncias apresentadas, a categoria, que já havia rejeitado o percentual de 6% de reajuste salarial em reuniões anteriores, decidiu pelo acordo e consequente fim da greve. “Estamos satisfeitos porque saímos vitoriosos. Foi possível ver aqui que 95% da categoria acatou a proposta”, comemorou Altair ao final da votação. “A partir de agora a greve está encerrada e à tarde já está de volta a circulação normal das frotas”.

Antes de ser informado sobre a aceitação da categoria, o presidente do Setrans-Bel, Pedro Gomes, já sinalizava o posicionamento do sindicato de não promover mais aumentos com relação ao índice de reajuste salarial. “Não tem como aumentar mais esse índice porque, analisando a conjuntura, já estamos dando um ganho real. É uma proposta que já extrapola as nossas possibilidades, mas que mostra a nossa boa vontade em sair da greve”.

Paralisação inibiu doação de sangue
“Mãe um exemplo de doação. Doe sangue!”. É o tema da campanha de doação de sangue em homenagem ao Dia das Mães, que a Fundação realizará entre hoje e amanhã, com o objetivo de reforçar estoque estratégico do hemocentro e homenagear as mães doadoras. A campanha já começa enfrentando dificuldades com a redução de 30% no estoque de sangue em função do intenso período chuvoso e desde anteontem, por causa da greve dos rodoviários que atinge a Região Metropolitana de Belém (RMB). A meta da campanha é de 250 coletas/dia.

Segundo a gerente de Captação de Doadores, a assistente social Juciara Farias, a maior necessidade transfusional no momento é de sangue tipo Negativo. “Aproveito a oportunidade para convocar, especialmente, familiares de pacientes que estão internados e precisando de transfusão para colaborar com a campanha e reforçar o estoque técnico”, enfatizou, convidando antigas e novas doadoras de sangue para campanha das mães.

Com relação ao baixo comparecimento de doadores, ela informou que na terça-feira passada (8), foi registrado 320 comparecimentos. No dia seguinte, com o início da greve de ônibus em Belém, o índice de voluntariado caiu para 171 comparecimentos. O Hemopa tem responsabilidade de abastecer 218 hospitais, sendo 85 somente em Belém.

Usuários sofrem e se arriscam
Enquanto os rumos da greve ainda não estavam definidos, logo no início da manhã, quem precisou do transporte público para se deslocar na Região Metropolitana de Belém (RMB) enfrentou dificuldades nas paradas de ônibus. Somada à paralisação dos rodoviários de Ananindeua e Marituba, iniciada 0h de ontem, a greve dos rodoviários de Belém fez com que muita gente precisasse se arriscar para chegar ao trabalho no horário.

No Entroncamento, em uma das paradas mais lotadas, a dificuldade de entrar nos ônibus era visível. Apesar da circulação razoável de ônibus e vans, os veículos chegavam tão lotados que já não era mais possível subir. Apesar da tentativa, após acompanhar o sufoco enfrentado por quatro pessoas que se espremiam no primeiro degrau da porta de entrada de um ônibus que vinha do distrito de Mosqueiro, a auxiliar de consultório, Daniele Silva, desistiu de entrar no veículo. “Não tem condições!”, desabafou depois de esperar por 15 minutos a chegada de um ônibus que a levasse a seu destino.

“Eu sai mais cedo de casa para ver se eu conseguia um ônibus que me deixasse em São Brás para pegar outro lá, mas não consigo segurar nem no corrimão da porta”.

Já a doméstica Fátima Santos tentou outra estratégia para conseguir chegar ao trabalho de ônibus: em uma parada da avenida Augusto Montenegro, ela chegou a bater na porta traseira de um ônibus para ver se conseguia entrar por trás. “Tá muito lotado, não dá pra entrar pela frente por isso tentei subir por trás e pagar a passagem depois, mas ele (motorista) não quis abrir. Vou esperar um mais vazio”.

Quem ainda podia esperar mais um pouco não desviava a atenção dos ônibus que apareciam sem muita demora, já quem não tinha escolha tinha que contar com a força. “Tem que ir assim mesmo, na porta. O que eu posso fazer?”, questionava a doméstica Ana Batista.

NAS GARAGENS
Durante a madrugada, nas garagens das linhas de ônibus que fazem o transporte em Belém, o clima era tranquilo. De tempos em tempos, alguns ônibus iam saindo em direção às paradas. Procedimento controlado por membros do sindicato que acompanhavam tudo desde o começo. “Determinaram que rode 50% da frota e estamos fazendo isso”, afirmou o vice-presidente do sindicato dos rodoviários, Everton Paixão, ao acompanhar a movimentação na garagem da empresa Belém Rio. “Até 6h, já deve ter saído todos os 50%. A Belém Rio tem 152 carros, vai rodar 76”.

(Diário do Pará)

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