Os moradores de Ananindeua e Marituba se deparam novamente hoje (11) poucos ônibus nas ruas. Os sindicatos dos rodoviários dos dois municípios não aceitaram a proposta apresentada pela desembargadora Suzy Koury, na tarde de ontem, no Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. A proposta de reajuste de 6% nos salários não foi aceita, uma vez que o índice pretendido é de, no mínimo, 10%. Hoje, será realizada nova reunião no TRT. Após duas horas e meia de reunião presidida pela vice-presidente do TRT com representantes do sindicato dos rodoviários e das empresas de transportes, não houve acordo. O maior entrave está no reajuste oferecido pelas empresas.
Paulo Gomes, da Federação das Empresas de Transporte Rodoviários da Região Norte (Fetranorte), avaliou que a proposta apresentada pelo tribunal, com reajuste de 6% para o salário, vale-alimentação para R$345,00 e o auxílio-clínica passando para R$46,20 é boa. Ele relatou que a proposta inicial foi o reajuste com base no índice inflacionário, que é o INPC (4,8%), para todos os itens.
Os rodoviários querem aumento no vale-alimentação para R$450,00 e um plano de saúde. As empresas oferecem R$340,00 de vale-alimentação e são contra a oferta de um plano de saúde. Marcio Amaral, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Ananindeua e Marituba (Sintran), declarou que a prioridade para a categoria continua sendo o reajuste salarial e o plano de saúde dos rodoviários. Em assembleia realizada no início da noite de ontem, em frente à sede do Sintran, em Ananindeua, as propostas foram rejeitadas pela categoria, que decidiu pela continuidade da greve. Uma nova reunião entre os representantes das empresas de transporte e os rodoviários ocorre hoje, às 11h30, no TRT.
Cansaço e espera marcaram o dia
O cansaço e a preocupação nas paradas de ônibus em Ananindeua e Marituba, na manhã de ontem, enquanto representantes do Sintram (Sindicato dos Rodoviários de Ananindeua e Marituba) se concentravam em frente às empresas para evitar confusões no primeiro dia da greve que atingiu os dois municípios. Eles garantiram que, pelo menos 50% da frota, estavam nas ruas. O estresse pela paralisação, que atingiu cerca de 200 mil usuários, foi grande.
Tanto em Ananindeua quanto em Marituba, paradas cheias, ônibus lotados que não paravam, usuários viajando pendurados nas portas, vans cobrando até R$ 3 e muitos passageiros sem ter como chegar ao trabalho. Cerca de 3 mil rodoviários paralisaram parcialmente as atividades nas oito empresas que fazem linhas em Ananindeua e Marituba.
Alison Lima, 19, prestador de serviços gerais, desistiu de esperar pelo ônibus e foi andando do Icuí até a Cidade Nova VI, em Ananindeua, em busca de transporte.
“Eu vou pegar esse aí pra ver se chego em algum lugar. nem parou, tava lotado!”, disse desolado. Adão Prates, motorista, 40, mesmo prejudicado pela demora do transporte, apoiou os colegas de profissão. “Pra gente isso acaba sendo prejudicial. Mas eles [os grevistas] também são pais de família, tem que fazer isso mesmo”, opina.
Geni Dutra, 60, servidora pública, esperava há uma hora para se deslocar de Marituba para Icoaraci. “Tá horrível. Isso é um absurdo. Os micro-ônibus que vem de Benevides e as vans tão cobrando três reais a passagem. Muitos ônibus passam lotados e nem param”, protesta. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar