A Marcha Mundial das Mulheres (MMM), secção Pará, divulgou em seu site (http://mulheresemmarcha.blogspot.com.br/2012/05/nota-da-marcha-mundial-das-mulheres.html) nota pública a respeito do caso de incitação ao aborto envolvendo o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA), onde condena “os argumentos conservadores adotados por diversas pessoas com o objetivo de defender o deputado e criminalizar a mulher”.
O movimento deixa claro que a sua preocupação principal com o episódio é com a grávida, “que não é uma pessoa pública, mas merece de todos a mesma consideração devotada ao deputado quanto à sua privacidade”.
O MMA-PA - formado por mulheres estudantes, bancárias, educadoras, sindicalistas, assentadas, produtoras rurais, pescadoras, donas de casa e mulheres de associações populares - afirma que o aborto deve ser debatido. “O aborto é assunto público, assim como a violência contra as mulheres e a pedofilia. O feminismo sempre disse que, ‘em briga de marido e mulher’, a sociedade e o Estado devem sim meter a colher”, defende.
A MMM diz defender a legalização do aborto “por entender que cabe às mulheres, no exercício da autonomia sobre seus corpos e suas vidas, tomar a decisão se querem ou não interromper a gravidez não planejada, sem pressão do parceiro, da família ou da igreja, mas, sobretudo, sem a ameaça de ir presa por isso”.
A nota afirma que esse debate está contaminado “pela hipocrisia e pelo machismo”. Hipocrisia, segundo a nota, porque a maioria da sociedade nega às mulheres o que o movimento chama de direito sexual e reprodutivo, “mas, no privado, entre quatro paredes, numa conversa telefônica, não faltam justificativas para achar que os casos das suas ‘conhecidas’ eram diferentes”.
Machismo, prossegue a nota, “porque os que ditam as regras são os homens, maioria no parlamento, entre os juízes e os líderes religiosos, e o fazem sabendo que a consequência é a morte de milhares de mulheres todos os anos”.
LINCHAMENTO
Referindo-se ao caso de Jordy, a MMM diz ter percebido nas redes sociais um “linchamento público” da mulher (Josy), que lutou pelo direito de prosseguir com sua gravidez. “A mulher que não admitiu ser pressionada se torna, na voz dos defensores do deputado, uma pessoa malvada e mal intencionada, interesseira e premeditada. Assim como não aceitamos a expressão ‘mulher de malandro’, não aceitamos ser culpadas pelos estupros que sofremos, não aceitamos o abuso sexual de menores como algo normal, não calaremos diante do machismo que justifica qualquer atitude masculina e culpabiliza as mulheres”.
O DIÁRIO divulgou no último dia 3 uma conversa telefônica de cerca de três minutos postada no site Youtube (http://www.youtube.com/ watch?v=XMxfXLt7 PSA) onde supostamente o deputado Arnaldo Jordy incita a jovem identificada apenas como Josy a fazer um aborto.
Após a divulgação do diálogo, promotores do Núcleo de Violência Doméstica Contra a Mulher, do Ministério Público do Estado, encaminharam expediente ao procurador geral de Justiça do Pará, Eduardo Barletta, solicitando apuração do episódio. No documento, os promotores pedem apuração do fato, que consideram um caso de violência contra a mulher.
Arnaldo Jordy possui foro privilegiado por ser deputado federal e só pode ser denunciado pelo procurador-geral de Justiça, Roberto Gurgel, e processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Caso Barletta julgue que há necessidade de apuração, encaminhará o pedido para a Procuradoria Geral da República, em Brasília. Caso Roberto Gurgel também julgue da mesma forma, ofertará denúncia ao STF.
Em sua defesa no episódio, o deputado federal do PPS criticou a divulgação apócrifa do áudio de uma conversa privada, feita, segundo ele, por um fantasma – ou “fake” na linguagem digital. Classificou a divulgação de “criminosa, clandestina e mafiosa”. Jordy reconheceu sua voz em determinados trechos da gravação e confirmou que teve um breve relacionamento com Josy, mas que nunca a incitou a fazer um aborto, classificando a conversa como um diálogo entre duas pessoas adultas que queriam resolver uma situação. (Diário do Pará)
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