Dizem que não há saudade maior do que a de uma mãe que perde o filho. Uma morte inexplicável para muitos e que contraria o curso natural dos acontecimentos: pais não esperam partir depois dos filhos, ainda mais quando a vida deles mal começou. Na UTI da maternidade Santa da Casa de Belém, cerca de 110 bebês, a maioria de partos prematuros, lutam para sobreviver. São 110 mães que vivem a dor e a agonia dos filhos em dobro, justamente porque não podem tomá-las só para si. Mães são a prova de que é possível sentirmos falta de alguém que nunca chegamos realmente a conhecer.
Jamires Vitória cresceu por sete meses dentro de Maria Elenice Pereira, 36 anos, e, apressada, resolveu sair antes da hora. Logo depois do parto, Jamires foi separada da mãe e ficou 22 dias em uma incubadora da UTI neonatal da Santa Casa. Quase o tempo todo isoladas, mãe e filha mal foram apresentadas. “Eu senti muita saudade. Uma preocupação enorme. Eu nem reagia, não conseguia fazer nada. Foi difícil.”, conta a mãe, que é de Parauapebas. Ela está morando no hospital, preocupada com a primeira filha de 10 anos que ficou em casa.
Hoje, 22 dias depois da internação, Elenice e Jamires estão novamente juntas graças ao programa Mãe Canguru. O método adotado pela Santa Casa permite que as mães possam entrar em contato e amamentar seus filhos, para que ganhem peso e saiam mais rápido da Unidade de Tratamento Intensivo.
Na sala reservada à amamentação, os pequenos bebês ficam, literalmente, grudados o tempo todo às mães dentro de uma espécie de bolsa. Daí a inspiração para o nome em referência ao marsupial australiano. Os recém-nascidos precisam ir à sala de amamentação até atingirem 1,8 kg. “Nós fazemos uma humanização do serviço e permitimos um contato maior entre as mães e os bebês porque isso ajuda a ambos. A internação na UTI causa um estresse muito grande nas mães e altera completamente a rotina familiar. Nós tentamos minimizar isso”, explica Rosana Nunes, gerente da Neonatologia da Santa Casa.
Mãe de três filhos pequenos, Rosana também precisa fazer sacrifícios para conciliar a rotina atribulada no hospital com a criação dos meninos. “É um esforço que vale a pena. É muito gratificante. Além do mais, é muito bom chegar em casa e ouvir os filhos dizendo: ‘mãe, tô com saudade’. Acaba até o cansaço”, conta a gerente. Leia mais no DIário do Pará.
(Diário do Pará)
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