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Grades separam filhos das mães detentas

Grávida de seis meses, Adriene Monteiro, 18 anos, aguarda a chegada do segundo filho com uma sensação diferente de sua primeira gestação. Mãe e filho serão obrigados a seguir caminhos diferentes horas depois do parto. “Quando o meu primeiro bebê nasceu eu

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Grávida de seis meses, Adriene Monteiro, 18 anos, aguarda a chegada do segundo filho com uma sensação diferente de sua primeira gestação. Mãe e filho serão obrigados a seguir caminhos diferentes horas depois do parto. “Quando o meu primeiro bebê nasceu eu estava em liberdade, mas agora é diferente. A única certeza que tenho é que eu vou me separar do meu filho assim que eu deixar a maternidade. E só de pensar nisso eu já fico com uma tristeza no coração” desabafa a jovem, presa há dois meses, no Centro de Recuperação Feminino (CRF), em Ananindeua, pelo crime de tráfico de drogas.

A realidade de Adriene é compartilhada por outras doze detentas, que dividem com ela, no CRF, uma cela destinada exclusivamente para grávidas e mães em período pós-parto. “Aqui uma tenta entender o problema da outra. Já que todas estão praticamente na mesma situação”, diz Patrícia Vilarinho, 20 anos, que ainda se recupera do resguardo.

Presa no mesmo dia que o marido e autuada com uma lista de crimes como tráfico de drogas, porte ilegal de arma, roubo qualificado e formação de quadrilha, Patrícia tenta aliviar a saudade do filho recém-nascido durante as visitas programadas para o aleitamento materno. “Essas visitas acontecem dia sim, dia não, durante uma hora. Como é a minha sogra que cria o meu filhote, ela tem esse trabalho de trazer ele aqui para eu amamentar nesses dias alternados. É tudo muito rápido, mas pelo menos é uma forma de manter contato com ele. Assim que passar o período de amamentação, essas visitas vão acabar. Aí, sim, vai ser muito triste”, explica a jovem.

Patrícia lamenta o fato não poder ficar com o filho recém--nascido, mas reconhece que nesse caso a separação é fundamental. “Cadeia nenhuma é um local pra criança. Eu sei que é muito triste a gente ser obrigada a se separar dos nossos filhos, mas isso é o melhor pra eles. Tenho fé que um dia eu vou sair daqui e vou terminar de criar o meu filho lá fora”, afirma.

Segundo a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe), todas as internas grávidas contam com acompanhamento médico necessário e, com o fim do período de gestação, cabe a elas escolher com quem vai ficar a guarda do filho. “O ideal é que a criança fique com um familiar da detenta, mas, caso isso não ocorra, o sistema penitenciário tem por obrigação proteger essa criança em algum abrigo do Estado”, explica o diácono Ademir da Silva, coordenador da Pastoral Carcerária. Leia mais no Diário do Pará. (Diário do Pará)

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