Ser mãe é algo para a vida inteira. E mesmo quando as definições de existência se vão, o amor continua perpetuando. Esse era o sentimento de milhares de pessoas que visitaram entes já falecidos ontem nos cemitérios de Belém. Marcado por homenagens e lembranças o dia das mães teria tudo para ser uma data tranquila, se não fossem os problemas estruturais de alguns espaços, que entristeciam o público presente.
“Esse cemitério [no bairro do Tapanã] está sempre abandonado. A gente ainda ajuda os zeladores, pra ver se pelo menos ao redor da sepultura fica limpo, mas não dá pra ajeitar tudo sozinha. Me incomoda ver tudo cheio de mato e lama, como se fossem apenas cachorros enterrados aqui”, desabafa a feirante Sandra Maria. Há três anos ela perdeu a filha, vítima de um tumor de cérebro e cuida dos dois netos deste então. Jovens que, infelizmente, visitam pouco o local em razão das péssimas condições. “Não trago eles porque é tudo tão bagunçado que podem cair numa sepultura encoberta pela grama, pegar alguma micose, se machucar”, comenta.
A preocupação tinha fundamento. Quanto mais longe do portão de entrada, mais crítica era a situação de descaso. O mato cobria diversos túmulos, o lixo se acumulava em canteiros e até a pavimentação estava prejudicada em vários pontos.
No maior cemitério de Belém, o Santa Izabel, o cenário era mais ameno. Fiscais de trânsito, da secretaria de economia, guardas municipais e policiais militares se espalhavam pelas necrópoles a fim de garantir segurança e ordenamento dos visitantes.
Mesmo assim, pontos mais longínquos ainda eram motivo de reclamação para familiares. Para a aposentada Elenise Santiago as homenagens à mãe só não são mais frequentes pelo risco que o local oferece. “Tem que vir de manhã porque a última vez em que vim de tarde, às 16h, fecharam os portões e eu fiquei presa. Tive que procurar alguém da administração para consegui sair”, diz. Ontem ela pediu a ajuda de duas serventes para limpar o jazigo da família. Se não fosse assim, a sujeira também tomaria conta do lugar. “Claro que nós também temos que cuidar do que é importante, do que fez parte da nossa vida, mas os cemitérios têm ficado cada vez mais abandonados em Belém”, opina.
Em nota, a prefeitura afirmou que intensificou os serviços de limpeza nas necrópoles, iniciados há um mês. A PMB disse que agentes das Secretarias Municipais de Meio Ambiente (Semma) e Saneamento (Sesan) finalizavam a varrição, poda de árvores, lavagem e coleta de lixo e entulho nos cemitérios de Santa Izabel (Guamá), São Jorge (Marambaia), São José (Bengui) e Soledade (Batista Campos). Já o cemitério do Tapanã é de responsabilidade da agência distrital de Icoaraci, mas ninguém foi encontrado para comentar as reclamações.
A estimativa é de que 90 mil passaram pelos cemitérios da capital.
(Diário do Pará)
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