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Moradores sofrem sem água em Icoaraci

Icoaraci tem uma das orlas mais bonitas de Belém. A água é abundante, cerca o distrito com imponência e parece estar disponível a toda população. Mas, não é o que acontece com os moradores da Rua 8 de Maio, naquele distrito. Quem mora no local passa por d

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Icoaraci tem uma das orlas mais bonitas de Belém. A água é abundante, cerca o distrito com imponência e parece estar disponível a toda população. Mas, não é o que acontece com os moradores da Rua 8 de Maio, naquele distrito. Quem mora no local passa por dificuldades com o abastecimento irregular de água. Um problema que persiste há anos e ainda não teve solução.

Cansado de lidar com o inconveniente, o padeiro Benedito das Graças, morador da alameda Ferreira, inventou um pequeno sistema que custou aproximadamente 1000 reais para transportar água de contêineres, comprados por ele próprio, até a caixa d’água de sua casa. Uma boa estratégia, mas que ainda depende de pelo menos uma torneira funcionando. E há três meses nem isso existe na residência.

“Desde que nos mudamos pra cá, há 12 anos, passamos por esse problema. Temos que acordar todos os dias às 5h para ver se tem água. Se tiver, enchemos os ‘latões’, pra que a bomba consiga puxar a água. Quando não tem, aí dependemos de vizinhos, vamos pra casa de parentes ou compramos mesmo”, conta.

Morando com a esposa e dois filhos, Bené, como é conhecido na alameda, já não contabiliza quantas vezes procurou o poder público para cobrar a melhoria do serviço. Mas as idas ao Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Belém (Saaeb) foram em vão, garante.

“Eles enrolam, dizem que o responsável não está disponível; que falta uma peça. E assim o tempo vai passado e nada muda”, desabafa. Em protesto ele e alguns vizinhos decidiram parar de pagar as contas de água enquanto o problema não fosse resolvido. “Não é que não tenhamos condições de pagar, mas é um absurdo pagar por algo que não temos”, justificou.

Numa alameda paralela, ainda na 8 de maio, a família Cardoso vive situação semelhante. Sem o aparato de bombeamento e estoque, João decidiu cavar um poço artesiano sem muita indicação, e não conseguiu o resultado esperado. “Até a água do poço é meio suja. Acho que de tanta sujeira que se acumula aqui e das fossas que ficam muito perto”, afirma.

A ocupação desordenada do espaço fez com que os próprios moradores saneassem a rua e agora qualquer modificação é ainda mais difícil. “Tem dias que a gente não sabe o que tentar. Se fervo a água, gasto com o gás. Se não fervo, depois vou gastar com remédio porque os meninos ficam cheios de verme”, garantiu.

A reportagem tentou contato com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Belém (Saaeb), mas, até o final de edição, não obteve sucesso.

(Diário do Pará)

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