“A gente tem que lutar e se unir, se não nós não vamos conseguir nada”. É assim, através do esforço conjunto, que Angelita Barbosa, 36 anos, deseja conseguir a casa que espera há quatro anos. Angelita é integrante de uma das 250 famílias que esperam ser indenizadas ou receber uma nova moradia da prefeitura, por conta das obras do Portal da Amazônia. Atualmente, ela e outras pessoas vivem com auxílio-moradia.
Terça-feira (14) pela manhã, moradores que foram removidos das áreas correspondentes aos projetos do Portal da Amazônia, Bacia da Estrada Nova e Vila da Barca, reuniram-se na praça da Bandeira, no bairro da Campina, e marcharam até o Ministério Público Estadual, seguindo em direção à sede da Prefeitura Municipal.
O objetivo dos cerca de 50 manifestantes era o mesmo: conseguir uma posição do governo municipal a respeito de quando e onde terão de volta a casa própria. “O que está acontecendo nas obras do Portal da Amazônia: é que os moradores estão sendo retirados do local e não têm para onde ir. Alguns não estão recebendo indenização. O auxílio-moradia é de R$ 450 e muitos não conseguem pagar aluguel perto de suas antigas casa. A área será muito valorizada, por conta da especulação mobiliária, e os moradores que vivem lá há anos não vão poder usufruir disso”, afirma André Marinho, um dos coordenadores do Fórum de Entidades e Moradores das Áreas de Projetos do PAC (FEMA-PAC), em Belém.
Segundo André Marinho, no caso da bacia da Estrada Nova, as moradias moradores estão sendo desapropriadas e os moradores recebendo em torno de R$ 5 a R$ 8 mil para adquirirem novos imóveis. “Quem vai conseguir comprar uma casa, no mesmo local, com R$ 8 mil?”, questiona Marinho. Segundo o coordenador, muitos moradores se recusam a sair da área e estariam sendo pressionados.
Em relação à Vila da Barca, a situação é mais crítica, pois o projeto atravessa gestões municipais e, de acordo com o FEMA-PAC, algumas famílias, que antes moravam em palafitas, esperam há 10 anos a casa prometida. Dona Juliana Monteiro, 59 anos, doméstica, morava há mais de 50 em uma das casas desapropriadas para a construção do projeto do Portal da Amazônia. Na casa que foi demolida para o andamento das obras, ela cresceu e criou os quatro filhos.
Segundo o FEMA-PAC, 77 famílias deveriam ter sido remanejadas para apartamentos populares, previstos na obra do Portal da Amazônia no final de 2010. No entanto, até o final de 2011, apenas 16 famílias teriam sido remanejadas para a área. Uma nova licitação deverá ser aberta para que uma nova empresa assuma as obras.
Logo que chegaram à sede da prefeitura, representantes dos moradores foram recebidos pelo chefe de gabinete da prefeitura, Oséas Júnior. Eles participaram de uma reunião com o secretário de habitação Oswaldo Gonzaga e com o secretário da Seurb (Secretaria Municipal de Urbanismo), Francisco Damião.
Uma nova reunião foi marcada para a próxima quarta-feira, dia 23, e os principais pontos reivindicados serão novamente discutidos.
(Diário do Pará)
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