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Alunos temem ano letivo comprometido na UFPA

Os alunos da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e uma parte dos alunos da Universidade Federal do Pará (UFPA) devem permanecer sem aulas por tempo indeterminado por conta da greve dos professores, prevista para começar hoje, seguindo orientação

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Os alunos da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e uma parte dos alunos da Universidade Federal do Pará (UFPA) devem permanecer sem aulas por tempo indeterminado por conta da greve dos professores, prevista para começar hoje, seguindo orientação do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes – SN). Outras instituições de ensino superior do país também devem entrar em greve.

A orientação para paralisar as atividades dividiu a opinião dos alunos. Enquanto uns desaprovavam a decisão dos professores, por medo de terem o ano letivo comprometido, outros lembravam que os docentes estão fazendo valer seus direitos e que merecem lutar por melhores salários.

“Pra ser sincero, eu me sinto revoltado com essa decisão. Vai empatar todo o semestre e o outro vai começar comprometido. Além disso, nossas férias de julho e dezembro também estão prejudicadas”, opinou Victor Mileo, 18 anos, estudante de Medicina Veterinária da UFRA. Samantha Silva, 21 anos, colega de classe de Victor, concorda que a decisão dos professores irá afetar negativamente os alunos, mas lembra que os professores também serão prejudicados. “Toda a situação tem mais de um lado. Foi prometido algo para eles e não fui cumprido, então, eles têm o direito de reivindicar. Além disso, os professores também vão ser afetados porque a matéria será atrasada”, opinou a estudante.

E OS ALUNOS?
Júlio César Pereira, 22 anos, estudante de Psicologia da UFPA, defende a decisão de parte dos professores para paralisar as atividades. “Eles têm o direito de reivindicar melhores salários”, disse o estudante. Já Elizabeth Araújo, 22 anos, discorda do colega de classe. “Eles deveriam negociar, procurar outras maneiras de reivindicar”.

Na UFPA, a paralisação será apenas de uma parcela dos professores. A universidade possui duas representações: a Associação de Docentes da UFPA (Adufpa), que aderiu à orientação da Andes – SN, e o Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), que está aguardando o fim do prazo de negociação com o governo federal para se posicionar a respeito da greve.

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A Associação dos Docentes da UFPA (ADUFPA) informou que a greve começa hoje, com um ato público que será realizado no portão principal da universidade.

Dos 2.100 professores que lecionam na UFPA, 1.600 são associados a Adufpa, aproximadamente 76% da categoria. Ainda assim, a greve pode ser aderida por docentes não vinculados a associação.

Nicolau Rieckmann, presidente do Proifes na UFPA, afirma que defende a autonomia sindical e respeita a decisão de greve dos professores ligados a Adufpa, mas considera que aderir ao movimento agora seria anti-ético. “Eu estava em reunião com o secretário nacional do MEC e ele concordou em atender todas as nossas reivindicações. Na última segunda-feira (14), a presidente Dilma assinou uma medida provisória autorizando aumento de 4% com valor retroativo à primeiro de março correspondente ao aumento que nos deveria ser repassado naquele mês”, falou.

Segundo o presidente do Proifes, o prazo definido para que o governo federal chegue a um acordo com os professores se encerra dia 31 de maio. O principal ponto da negociação trata da restruturação do plano de carreiras e salários para 2013. “Nós consideramos que não é legal entrar em greve no meio de um processo de negociação”, disse Rieckmann.

A medida provisória assinada pela presidente Dilma Rousseff faz valer parte do acordo firmado por professores e governo federal em agosto de 2011. O Projeto de Lei 2230/2011, proposto em agosto do ano passado, está para ser votado pelo Congresso Nacional há oito meses, motivo que levou muitas representações de professores a indicarem que entrariam em greve.

De acordo com Nicolou Rieckmann, a medida provisória não contempla todas as reivindicações propostas no PL, contundo, segundo o presidente, as negociações com o governo federal prosseguem, indicando avanços nas demais áreas.

(Diário do Pará)

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