plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 25°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

Siameses passam por cirurgia rara em Belém

Os gêmeos siameses Jesus e Emanuel, que nasceram em Anajás, na Ilha de Marajó, completaram cinco meses de vida nesta sexta-feira, 18. Internados na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, em Belém, eles foram submetido

twitter Google News

Os gêmeos siameses Jesus e Emanuel, que nasceram em Anajás, na Ilha de Marajó, completaram cinco meses de vida nesta sexta-feira, 18. Internados na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, em Belém, eles foram submetidos a uma angioplastia para desobstruir uma artéria do coração, o único órgão compartilhado pelos dois. O procedimento é raro na literatura médica neste tipo de paciente. A cirurgia foi realizada há um mês, mas, por causa da sua complexidade, foi divulgada apenas agora. A equipe médica, que luta para estabilizar as funções pulmonares dos bebês, considerou o procedimento um sucesso.

“Nós fizemos uma série de exames nos gêmeos logo quando eles foram transferidos da Santa Casa para o Hospital de Clínicas. Entre os exames, foi feito um ecocardiograma e um cateterismo. Identificamos a falta de oxigenação no sangue e a ausência do fluxo de sangue no pulmão do gêmeo Jesus e, por isso, optamos por uma angioplastia. Neste procedimento foi implantando um cilindro de aço inoxidável na artéria do coração, que permite o fluxo de sangue para Jesus”, explica o médico cardiologista intervencionista pediátrico, Rogério Miranda, que ressalta o ineditismo do procedimento.

“Em toda literatura médica que pesquisamos nada parecido foi encontrado. É provável que seja a primeira angioplastia em gêmeos siameses no mundo. Com este procedimento, o quadro de saúde de Jesus evoluiu para a normalidade, mas agora buscamos estabilizar as funções pulmonares de ambos os bebês”, destaca.

De acordo com o médico, a respiração do gêmeo Emanuel interfere nas funções pulmonares do irmão, obrigando ambos a receberem respiração artificial e permanecerem na UTI. “A respiração do Emanuel é muito forte, o que acaba descompassando a respiração da outra criança”. Para tratar este problema, os bebês de Anajás passam por fisioterapia para fortalecer a musculatura e permitir com que eles tenham respiração espontânea.

Além do tratamento cardíaco e de fisioterapia para estabilizar as funções pulmonares, no Hospital de Clínicas, os bebês são assistidos por vários outros profissionais, que estão envolvidos com a medicação, que se divide em antibióticos e drogas sintomáticas, e nutrição, que é feita por sonda. “São várias equipes de profissionais, que envolve as áreas de cirurgia, clínica, hemodinâmica e de apoio, como nutricionistas, fisioterapeutas e enfermeiros. Se não tivessem acesso a esse tratamento e a toda esta atenção, as chances de vida dos siameses seriam bem reduzidas”.

Primeiro cuidados

Antes de chegarem ao Hospital de Clínicas, Jesus e Emanuel permaneceram um mês na UTI Neonatal da Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém. Lá uma grande equipe de profissionais também contribuiu para a saúde deles. “Tínhamos pessoas específicas para cuidar deles na UTI, onde ficavam em um local isolado, para evitar a exposição. Eram 10 profissionais de enfermagem, divididos nos três turnos. Durante esse tempo que permaneceram internados, eles passaram por vários exames, que identificaram a complicação cardíaca. Por isso foram encaminhados para a unidade de referência cardíaca, o Hospital das Clínicas”, afirma Rosana Nunes, gerente de enfermagem da Neonatologia da Santa Casa.

Segundo a enfermeira, no período em que estiveram internados na UTI Neonatal, os bebês foram alimentados por sonda e respiravam de forma artificial, por aparelhos. “Em um mês e 15 dias que estiveram internados aqui conseguimos permanecer com o quadro estável. Quando chegaram, o gêmeo Jesus apresentava falta de oxigênio, mas conseguimos estabilizar”, conta Rosana, que deverá receber novamente os siameses na UTI da Santa Casa quando for possível a transferência dos pacientes.

O médico cardiologista que acompanha de perto o caso dos siameses de Anajás no Hospital de Clínicas ressalta que o quadro complexo dos bebês, que compartilham o mesmo coração, não permite prever alta da UTI ou qualquer avaliação futura. “Existem poucos casos como este na literatura médica e certamente o fato de estarem reagindo ao tratamento é, até agora, algo muito interessante para a medicina”. (Ag. Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!