'Acho justa a reivindicação dos professores, pois precisamos de uma educação de qualidade e professores com salários dignos. Parece que a greve é uma das alternativas mais eficazes", disse a estudante Mel Pinheiro, que cursa o último ano do curso de Jornalismo na Universidade Federal do Pará (UFPA). Além de Mel, muitos universitários apóiam os professores grevistas e acreditam ser uma boa forma de chamar a atenção do Governo, mas atrasar o calendário letivo também pesa.
"A greve é boa, pois muitas melhorias são oriundas dela na maioria das vezes. Mas também é ruim já que temos atraso. Se continuar não vou me formar esse ano", lamenta Mel.
O argumento da estudante de jornalismo também é compartilhado por Marcelo Andrade, aluno do curso Licenciatura Plena em Teatro, da UFPA. Ele teme que o planejamento que fez para finalização do curso o atrapalhe futuramente. "A greve acaba atrapalhando bastante, pois o ano letivo acaba mais tarde. Ao invés de me formar em quatro anos, o curso acaba tendo mais semestres depois destes quatro anos. Nós queremos entrar na universidade e concluir o curso. Isto não pode atrapalhar os projetos individuais de cada alunos", argumenta.
Mesmo com os empecilhos das atividades dos professores paralisadas, Marcelo oferece total apoio aos grevistas: "os professores precisam lutar por uma melhoria em seus salários, pois passam anos de sua carreira dando o melhor de si e acabam ganhando menos que um advogado concursado e em começo de carreira, por exemplo".
A greve pesa ainda mais no caso da futura professora e estudante do quarto semestre do curso de Letras com Habilitação em Língua Inglesa, Laena Luz. A aluna pensa no futuro que pode ter caso a situação dos baixos salários.
"Eu penso no que vou ser. Estou lá na universidade para ser professora, então com certeza apoio a greve. O que está acontecendo é um direito que deve ser entendido por todos. É um absurdo um professor mestre ter como piso salarial R$ 1.200, fiquei perplexa quando soube disso", disse, indignada, Laena Luz.
Para a estudante de Letras, uma alternativa para que os alunos não fiquem bastante prejudicados foi adotada pela maioria dos professores do curso. "Cerca de 99% dos nossos professores decidiram dar aula até o final de maio para concluir o conteúdo, e depois disso aderir à greve".
GREVE
Os professores das universidades federais de todo o Brasil entram em greve, no último dia 17, por tempo indeterminado. O movimento segue a orientação do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN). Em todo o país, cerca de 33 instituições federais de ensino superior também aderiram à greve. As principais reivindicações são o reajuste salarial e melhores condições de trabalho.
(Brunno Gustavo/DOL)
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