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IFPA tem foco no desenvolvimento sustentável

Com o objetivo de promover educação profissional e tecnológica em todos os níveis e modalidades - ensino, pesquisa e extensão - o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA) chega aos quase 103 anos (a serem completados dia 23 de

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Com o objetivo de promover educação profissional e tecnológica em todos os níveis e modalidades - ensino, pesquisa e extensão - o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA) chega aos quase 103 anos (a serem completados dia 23 de setembro), com um foco principal: o desenvolvimento sustentável acompanhado da valorização da diversidade em cada uma das regiões do Estado.

Essa semana o DIÁRIO foi até o prédio da reitoria do IFPA para ouvir Edson Ary de Oliveira Fortes, atual reitor da instituição, que se despede este ano do cargo ocupado por oito anos (ele acumula duas gestões consecutivas). Engenheiro civil, com mestrado em educação e construção civil, Fortes estudou na instituição, ainda na época que era escola técnica, em 1968. Professor de carreira desde 1974, o reitor fez um balanço de seu trabalho à frente do instituto e avalia os rumos e desafios do ensino técnico no Estado. Confira entrevista cedida aos repórteres LuizFlávio e Edmê Gomes:

P: Como reitor, o senhor teve a experiência de administrar um centro tecnológico que posteriormente tornou-se um instituto de tecnologia. Na prática, o que mudou quando o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) tornou-se Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA)?

R: Nós assumimos em 2004 e em 2009 houve essa transição. Na época do Cefet nós tínhamos amarras em relação a oferta de cursos superiores. Pelo instituto nós podemos oferecer o ensino desde o fundamental até a pós-graduação. Tanto que já aprovamos nosso primeiro mestrado a ser ofertado lá no campus de Castanhal. Podemos dizer que o horizonte se alargou, pensando exatamente nas necessidades regionais. Foi criada uma autonomia administrativa e financeira de tal maneira que com os projetos desenvolvidos hoje avançamos muito.

P: Após oito anos à frente do IFPA, quais são os principais avanços?

R: Quando assumimos, em 2004, tínhamos 3.800 alunos, hoje são 24.500. Nós partimos de três unidades de ensino descentralizadapara 12 campi, com a construção em andamento de mais quatro e a previsão de um quinto, ainda este ano. Hoje, nós estamos presentes em 12 municípios, mas chegaremos aos 17. Além disso, deixamos um planejamento até 2020, já aprovado pelo MEC, em que todo ano nós temos de acrescer em nosso contingente mais três campi. Provavelmente, até 2020 nós teremos no Estado dois novos institutos, um no Oeste do Pará, e outro para o Sul e Sudeste. Isso nos dá segurança para dizer que o instituto tem velocidade.

P: Como se dá a organização atual do instituto?

R: Temos a sede em Belém, que concentra nosso maior contingenciamento de alunos e professores, e 12 campi já reconhecidos peloMEC. Eles são os de Belém, Abaetetuba, Bragança, Castanhal, Marabá Industrial, Marabá, Tucuruí, Altamira, Conceição do Araguaia, Santarém, Itaituba e Breves. Oferecemos em torno de 40 cursos de nível médio técnico, oito licenciaturas, seis tecnologias [cursos tecnólogos] e uma engenharia. Em breve ofertaremos também uma turma de mestrado.

P: Em relação ao convênio com a Prefeitura de Ananindeua, como caminham os serviços da instituição para os estudantes do município?

R: Em visita à Câmara e ao prefeito, Helder Barbalho, nós notamos que não havia em Ananindeua nenhuma ação do instituto porque o município se confundia com Belém e percebemos essa necessidade de fazer essa expansão. A partir daquele momento foi feito um projeto através da bancada do Pará, do senador Jader Barbalho, da deputada Elcione Barbalho e, principalmente, do prefeito Helder, e levamos o pleito para o Ministério da Educação. Mas antes mesmo de vir a autorização para começar construção, fizemos esse convênio e abrimos 300 vagas para técnico de edificações, eletrotécnica e segurança do trabalho. Esse foi um embrião, e como foi uma experiência exitosa, demos continuidade e renovamos o convênio ofertando novas vagas. Os primeiros alunos já se formaram e foram rapidamente absorvidos pelo mercado de trabalho, porque as empresas já acenavam para esse momento. Havia essa demanda.

P: Em relação ao campus, quando o município terá seu prédio próprio?

R: No mês passado o governador Simão Jatene repassou a área da Granja do Icuí para se fazer a cidade universitária de Ananindeua. O instituto, com recursos do Governo Federal na ordem de R$ 7,2 milhões, já está construindo lá dentro. Já está em andamento a construção do bloco pedagógico, administrativo e de ensino, além de laboratórios. Agora, vamos dar inicio ao processo licitatório para a construção de um ginásio. A expectativa é de que o novo campus esteja pronto para receber os alunos em março de 2013 e aí serão 1200 vagas ofertadas.

P: O IFPA tem uma marca registrada que é a qualificação de jovens no ensino técnico, mas não se restringe apenas a isso. Qual a área de atuação de vocês?

R: A vertente do instituto é mais voltada para o segmento industrial. Embora existam alguns campi com forte característica agrícola, como é o caso de Castanhal e Marabá Rural, nós trabalhamos muito forte na área de mecânica, metalurgia, eletrotécnica, telecomunicações e na construção civil. Mas estamos presentes em outros setores. Temos turmas de eventos e turismo, cursos de ensino fundamental como pedreiro, carpinteiro, cozinheiro, agente de segurança, entre outros, e na educação no campo, onde concentramos um terço da oferta de todo o país. Estamos voltados até para educação indígena, como ocorre no campus rural de Marabá, onde oferecemos uma turma de meio ambiente e agroecologia. Além de velocidade, posso garantir que o instituto tem vontade de chegar nos recantos mais distantes do nosso Estado, olhado a diversidade que cada região apresenta.

P: Mesmo com essa diversidade que o senhor citou, é possível traçar um perfil de procura pelo IFPA?

R: O perfil varia de acordo com os arranjos produtivos locais. Aqui na Região Metropolitana de Belém, por exemplo, ainda é muito grande a procura dos alunos das licenciaturas, mas no Sul e Sudeste do Pará a demanda para licenciaturas é especialmente voltada ao campo. Também dá para destacar os exemplos de Marabá e Parauapebas, onde nós temos convênio com a empresa Vale. Nesses locais nós percebemos que tanto o perfil de procura da empresa quanto dos alunos é para as áreas de eletrotécnica, mecânica e construção civil.

P: O que reflete talvez uma preocupação com o mercado de trabalho...

R: A empregabilidade para os nossos alunos é muito boa, especialmente nos campi de interiorização. Voltando a utilizar Parauapebas como exemplo, a Vale lá está entregando R$ 8,5 milhões para um campus que será inclusive equipado por ela. Isso ocorre porque em troca nós formamos alunos nos moldes que a empresa necessita. Além do processo seletivo para o acesso de nossos alunos à Vale, ainda promovemos treinamento especifico. Hoje um aluno aprovado entra na empresa, ainda estudando, ganhando R$ 400. Passados três meses já recebe uma bolsa de R$ 1.200 e a partir daí tem ampla possibilidade de tornar-se um colaborador definitivo da Vale. Também não faltam exemplos de alunos absorvidos por outras empresas do entorno.

P: Hoje se fala muito da importância de profissionais de áreas técnicas. Para o senhor quais devem ser os rumos desse ensino no Pará?

R: Se formos olhar as empresas instaladas apenas aqui no Estado, para cada 12 vagas de emprego abertas, dez são para cursos técnicos e apenas duas para cursos superiores. A trabalhabilidade em função das diretrizes da empresa é muito mais fácil para os alunos de curso técnico que para os de ensino superior, que muitas vezes não têm a experiência da aplicabilidade do que aprenderam na academia para o mercado de trabalho. O aluno do ensino técnico tem espaço garantido ainda por muitos anos, especialmente em virtude dos inúmeros projetos espalhados por todo o país, e o IFPA tem a sua importância nesse contexto. Ao ano estamos formando em torno de 1500 técnicos, a maioria com boa aceitação no mercado de trabalho.

P: Diante desse cenário de abertura, qual o principal desafio para o ensino técnico local?

R: O principal desafio é qualificação dos profissionais que estão repassando o conhecimento. Hoje, os desafios impostos são maiores, as problematizações trazidas pelos estudantes são cada vez mais específicas, de modo que o professor precisa estar bem preparado. Não adianta o investimento em equipamento se não houver a resposta de investimento também em servidores e professores. É necessário que haja no Estado, dentro da capacitação e das vagas de docentes junto à Seduc [Secretaria de Estado de Educação] o cargo de professor tecnológico. Se não houver essa preocupação, os hoje poucos professores da área tecnológica no Estado não serão capazes de abarcar o contingente da demanda. Digo isso como uma alerta, havendo essa abertura para esses docentes, o próprio instituto pode ofertar os cursos de licenciatura nas tecnologias. Hoje, não fazemos isso porque não há a garantia de absorção pelo Estado. Não podemos correr o risco de formar profissionais que ficarão ociosos.

(Diário do Pará)

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