Acidentes domésticos podem trazer graves consequências, principalmente para crianças e idosos, podendo até serem fatais. Os cuidados para evitar verdadeiras tragédias são simples, mas nem sempre são respeitados. Especialistas afirmam que em todo lar existem situações que representam riscos e podem provocar acidentes: quedas, queimaduras, ingestão de substâncias tóxicas e afogamentos são mais comuns dentro de casa do que na rua.
No Hospital Metropolitano de Belém, referência no atendimento à acidentados nesta modalidade, foram registrados 701 casos de acidentes domésticos apenas no período de janeiro a abril deste ano - 484 crianças e 217 idosos. O número representa um aumento de 66 casos em relação ao mesmo período do ano passado, quando o hospital registrou 635 acidentes. Dados do Ministério da Saúde dão conta de que cerca de 38% dos acidentes registrados em hospitais conveniados ao Sistema único de Saúde (SUS) aconteceram dentro de casa. Este índice é um grande alerta, se comparado ao percentual de acidentes ocorridos dentro de indústrias e construções, que juntos somam apenas 3%.
RISCOS
A instrutora Francilene Belo, da Liga Acadêmica de Enfermagem do Trauma, da Universidade Federal do Pará, justifica porque crianças e idosos são os que mais sofrem. “Os primeiros, em virtude da fase de desenvolvimento e da falta de discernimento sobre os perigos de determinadas atitudes. Os segundos, devido à dificuldade de recuperação”, conta.
Na casa de Joelma Scerne, 60 anos, todo cuidado é pouco. Ela mora com outras nove pessoas, entre elas a mãe, Olgarina Oliveira, 92 anos, e o neto, o pequeno Fernando, de apenas um ano. “A casa foi adaptada a principio para receber a mamãe. Ela tem mal de Alzheimer e precisa de cuidados especiais, por causa da idade avançada e pelos problemas advindos com o tempo. As alterações na arquitetura da casa, hoje, servem, também, para proteger o Fernando”, esclarece.
Na sala, por exemplo, não há tapetes, que foram abolidos por causa da facilidade de deslizamento em contato com a lajota. Na entrada da cozinha foi colocada uma porta de vidro, que fica fechada durante o preparo dos alimentos – adesivos colados à porta anunciam que ali há um vidro, para evitar impacto frontal. As facas e talheres são guardados em gavetas no armário, assim como os produtos de limpeza, que são alojados em compartimento com trancas. Todos os cantos de mesas são arredondados, a cama onde repousa a mãe de Joelma, é adaptada para evitar impactos em caso de quedas. “Ainda assim, com todo esse cuidado, outro dia ela acordou e ao se levantar caiu e bateu a cabeça. Um vaso sanguíneo estourou e saiu muito sangue. Foi preocupante. Percebemos que todo cuidado realmente é pouco”, contou.
O neto também já sofreu acidentes no lar. “Ele caiu e machucou a cabeça”, contou. Na casa, cercada de cuidados, a criança ainda fica sob o olhar atento das “cuidadoras” que, ao lado da mãe, observam tanto ele, quanto dona Olgarina. “Procuramos nos prevenir, mas em questão de segundos pode acontecer o improvável”, alerta Joelma.
(Diário do Pará)
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