Manter a biodiversidade de um país não é fácil, mas diminuir o espaço de cuidado – de um país para um estado ou cidade - não facilita muita coisa. Em Belém, a biodiversidade é vista de longe por qualquer um. Os túneis de mangueiras são a prova disso. São, na capital paraense, aproximadamente 120 mil árvores, cerca de 10 mil delas são mangueiras e 2300 mangueiras centenárias. Manter o verde em meio ao cinza é tão complexo quanto lutar pelas unidades de conservação. Apenas esse ano, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) retirou 300 árvores de Belém e distritos de Icoaraci e Mosqueiro, aproximadamente 10% delas era de grande porte. “Todas as árvores que estão em iminência de tombar fazemos a retirada imediata. Mas toda ação é feita a partir de uma avaliação técnica. Em 2012, já retiramos 24 mangueiras, sete delas porque tombaram”, afirma a diretora do Departamento de Áreas Verdes Públicas da Semma, Simone Brito. Mas, enquanto algumas são retiradas, outras são plantadas. “Esse ano, também já plantamos cerca de 100 árvores. Porém, antes de fazer isso, analisamos se o solo ainda pode receber o vegetal”, conta a diretora. Segundo Simone Brito, o maior problema da arborização urbana é a rede elétrica. “Belém tem uma situação complexa, temos muitas arvores de grande porte que chegam à rede elétrica. Realizamos podas em parceria com a Celpa e a CTBel porque para realizar esse serviço precisamos desligar a energia elétrica e interromper fluxo de carros, por isso é um trabalho complexo que demanda planejamento”, explica. Desde que o Plano de Arborização Urbano foi aprovado, no último mês de março, na Câmara Municipal, algumas medidas já foram tomadas. “Estamos produzindo o inventário com a relação das nossas arvores, também já começamos a retirada da árvore conhecida como fícus, que, apesar de parecer ornamental, arrebenta calçadas e tubulações com a raiz e não são aconselhadas para cidades. A partir do plano, podemos mostrar à sociedade o que, como e onde plantar”, conclui.
(Diário do Pará)
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