A campanha de nacional vacinação contra a gripe encerra na próxima sexta-feira e a meta de imunização estabelecida pelo Ministério da Saúde ainda está longe de ser cumprida aqui no Pará. Dos 80% estabelecidos, apenas 45% do público-alvo foi atingida: idosos a partir dos 60 anos, trabalhadores de saúde, crianças entre seis meses e menores de dois anos, gestantes em qualquer fase da gravidez e povos indígenas. Profissionais acreditam que a baixa procura pela vacina se dá em virtude da redução das propagandas de mobilização.
Até a tarde de ontem, apenas 37,24% dos idosos haviam sido vacinados na capital paraense faltando dois dias para o encerramento da campanha, enquanto 32,69% das gestantes foram atingidas pela imunização e 25, 02% das crianças estão vacinadas. Os percentuais referem-se à população absoluta de cada categoria existente na cidade. As doses da vacina estão disponíveis em todos os postos de saúde.
De acordo com a diretora do departamento de vigilância em saúde da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), Carlene Castro, a população está desinteressada na imunização este ano. “Estamos percebendo que ainda falta mobilização. A quantidade de material publicitário chamando a população parece menor este ano, estamos fazendo o que podemos. Não vemos muitos outdoors na cidade, poucos cartazes e inserções na televisão. Estamos apostando no boca a boca”, afirmou.
Para a coordenadora estadual de imunização, Jaíra Ataíde, o fato de o Estado já ter apresentado 04 casos de gripe A (H1N1) só este ano, entre eles uma vítima fatal, é preocupante, mas ela acredita que a meta deve ser cumprida no prazo definido. “Tem gente que deixa tudo para cima da hora, inclusive a vacina. Estamos conversando com o Ministério da Saúde para verificar a possibilidade de adiar o encerramento. Afinal, o único Estado do Brasil que está próximo de alcançar a média até agora é Santa Catarina, com 60% de vacinação”, explicou.
A vacina proporciona impacto direto na diminuição dos casos e gastos com medicamentos para tratamento de infecções secundárias, das internações hospitalares e da mortalidade, é segura e protege contra os três principais vírus que circulam no hemisfério sul, entre eles o da influenza A (H1N1).
No Brasil, a melhor adesão à campanha é das crianças, com mais de 2,2 milhões recebendo a vacina, o que representa 52,11% do total. O alcance da população indígena chegou a 33,6% de cobertura, cerca de 197,1 mil vacinados. Neste público, a vacinação ocorre nas aldeias onde eles vivem.
No Pará, 11 municípios possuem aldeias indígenas. As informações da vacinação só serão inseridas no sistema de informações depois que as equipes retornarem das aldeias. As gestantes alcançaram o percentual de 41,21% de cobertura, ou seja, 890,4 mil futuras mães procuraram uma unidade de saúde para receber a vacina. Mais de 2,4 milhões de trabalhadores em saúde foram vacinados, o que corresponde a quase 1,1 milhão de pessoas. Já entre os idosos, o índice de cobertura vacinal foi de 44,48%. O percentual corresponde a 9,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais.
Em 2010, 148 pessoas morreram por conta de complicações. No ano passado, o Ministério da Saúde registrou 53 mortes, o que representa uma redução de 64%.
(Diário do Pará)
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