Na calçada de acesso à Igreja de São José de Queluz, o ‘tapete’ formado por pétalas e galhos das rosas vendidas pelos ambulantes apontava o caminho. Na porta da igreja em que era celebrada a primeira missa do dia em alusão à data de nascimento de Santa Rita de Cássia, em que também é realizada a Procissão das Rosas em sua homenagem, a grande quantidade de fiéis se amontoava para receber bênçãos às rosas que levaram. Pelos vitrais azuis da janela lateral da igreja, a assistente social Margarete Pereira acompanhava a missa e aguardava o momento de sair em caminhada pelas ruas do bairro de Canudos. “As bênçãos, com certeza, chegam até aqui fora. Já conquistei muitas graças com Santa Rita. Graças de saúde, de trabalho...”, lembrava.
Após a missa celebrada pelo Arcebispo Metropolitano de Belém, Dom Alberto Taveira, a multidão de fiéis seguiu atrás da imagem cercada de rosas vermelhas. Com uma imagem bem menor, os braços de Ionete Campos ficaram pequenos. Ela também carregava algumas rosas e a faixa de agradecimento por graça alcançada. “É uma promessa pela cura da Júlia Maria que estava muito doente”, explica a avó. “Ela tem dois meses e ficou na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) por cinco dias”, complementou o policial militar Fabiano Batalha, pai de Júlia.
Com a vestimenta longa e preta de Santa Rita, apesar do calor, a estudante Jhessy Reis cumpria uma promessa. “Minha mãe precisava passar por uma operação muito difícil. Ela fez a cirurgia e agora está bem”, disse. A cura de uma doença é, também o que motiva a jornalista Soraia Wanzeller. Há onze anos, seu pai acompanha a Procissão das Rosas. Mas há cinco, a caminhada da família é com 35 rosas. “Passamos por vários desafios. Há cinco anos meu pai está curado de um câncer de boca”. Para agradecer a cura do pai, Soraia leva parte da procissão até seu local de origem. “Desde que ele se curou, fazemos uma novena em Mosqueiro e no sétimo dia, que é hoje, acompanhamos a peregrinação com as rosas para serem abençoadas e depois as distribuímos para a comunidade de Mosqueiro”.
De acordo com o pároco da Igreja de São José de Queluz, Frei Juan Antônio Espejel, as rosas carregadas pelos fiéis, representam, dentre outras coisas, a beleza da sanidade e o perfume da obediência de Santa Rita. “As rosas representam, também, outro lado: Não existe glória sem calvário, que são os espinhos”, explica. “A procissão completa, hoje, vinte anos e continua viva e cresce cada vez mais, confirmamos, com esse crescimento de fiéis na procissão, que Deus faz maravilhas com seus santos”, acredita. “Se as pessoas não recebessem tantas graças, não viriam”.
Sabendo da força de Santa Rita pelos relatos dos fiéis, a doméstica Maria de Lourdes saiu da Avenida Augusto Montenegro, onde mora, para acompanhar o início da homenagem à santa. A sensação de participar da procissão pela primeira vez a emocionou tanto pela possibilidade de alcançar graças, como pela fé que movia as pessoas. “É muito bonito ver a expressão de fé dessas pessoas. Não imaginava que viesse bastante gente assim”, admirava-se. “Eu venho para pedir paz, mas não somente para a minha família, mas pra todas as famílias”.
Paz também é o desejo do comerciante Oswaldo Espinele. Em frente a sua casa, ao lado da esposa Nair Espinele, ele acompanhava a procissão passar, com a imagem de Santa Rita de Cássia sobre a mesa com uma toalha branca na calçada. “Ela está aqui para ser abençoada. Pedimos sempre pela sua intercessão e essa peregrinação vai no fundo da alma.. Temos 75 anos (ele e a esposa) e sempre pedimos que ela nos abençoe”, diz. “Eu pedi pela tua doença. Se tu te curares, já sabes que foi milagre de Santa Rita de Cássia”, declara voltado para a mulher.
(Diário do Pará)
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