plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 25°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

Automedicação dificulta diagnóstico do câncer

É comum tratarmos o que imaginamos ser uma simples dor de estômago com chás ou usarmos da costumeira automedicação, que aliviam por hora a dor. Contudo, um mal estar nessa região pode ser um alerta para algo mais grave como o câncer de estômago. Um dos gr

twitter Google News

É comum tratarmos o que imaginamos ser uma simples dor de estômago com chás ou usarmos da costumeira automedicação, que aliviam por hora a dor. Contudo, um mal estar nessa região pode ser um alerta para algo mais grave como o câncer de estômago. Um dos grandes inimigos para o diagnóstico precoce desse tipo neoplasia se dá justamente pelo fato de que na fase inicial, esta neoplasia se apresenta de uma forma inespecífica, geralmente leve, e pode ser confundido com outras doenças como gastrite, úlceras pépticas e doenças de refluxos, alerta o oncologista do Hospital Ophir Loyola, Alessandro França.

Foi exatamente o que ocorreu com o ribeirinho, Raimundo Ribeiro, 61, o morador do município Anajás no Marajó. Há mais de três anos começou a sentir leves dores e como faz parte da cultura local, um chazinho como ele mesmo diz sanou por mais de um ano o desconforto, até que não surtiu mais efeito. “Tomava muito chá de casca de pau e passava. Com o tempo as dores ficaram mais freqüentes e insuportáveis e tive febre, foi aí que procurei um médico e descobri que tava com uma doença grave e avançada”, relatou.

Geralmente, as pessoas buscam por atendimento no estágio muito avançado da doença, ou seja, quando já apresenta sinais como sangramento (que podem ocorrer em patologias benignas), ou perda de peso ou a dor com intensidade muito forte. “Quando os sintomas se tornam irremediáveis ou bem mais evidentes é o que em geral fazem às pessoas procurarem atendimento médico. É quando o tumor já está em estádios mais avançados”. O câncer de estômago é mais freqüente em homens, uma realidade que não é peculiar dos paraenses, mas do Brasil e mundo. “Isso não ocorre devido a diferenças genéticas entre os sexos e sim porque o homem em geral se expõe mais aos riscos para adquirir essa neoplasia como alimentação inadequada, pouca ingestão de alimentos frescos, tabagismo, etc.”, explicou.

Estimativas- Para 2012, no Brasil, o Instituto Nacional do Câncer ( Inca ) espera 12.670 casos novos de câncer gástrico em homens e 7.420 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 13 casos novos a cada 100 mil homens e 7 a cada 100 mil mulheres. Dados do Hospital Ophir Loyola apontam que a o câncer de estômago é o segundo mais comum tratado na instituição, segundo mais freqüente em homens e o terceiro em mulheres. Esse ano são esperados 680 novos casos no Estado, dos quais 450 no sexo masculino (taxa bruta 11,11 por 100.000 habitantes) e 250 no sexo feminino (Taxa bruta 6,60 por 100.000 habitantes).

André França explica que não existe um perfil mais atingido e sim regiões mais afetadas. Pessoas da região da Ásia, sobretudo japoneses e coreanos apresentam um maior risco. E no Pará, as pessoas que moram na região do salgado são as mais afetadas. “Isso ocorre devido às questões ambientais e ao tipo de alimentação. Pessoas que se alimentam com alimentos ricos em nitritos e nitratos (alimentações conservadas em sal) apresentam um risco bem maior. Tanto que pessoas destas regiões que se mudam para outras áreas acabam diminuindo o risco de ter câncer de estômago pela mudança às exposições ambientais”, explicou.

Prevenção e Tratamento- Uma dieta rica em frutas e vegetais frescos, não consumir alimentação conservada em sal ou defumados ajudam a prevenir este tipo de câncer. Pessoas que moram em locais com maiores riscos devem realizar exames de investigação periodicamente. O H. pylori já é considerada pela Organização Mundial de Saúde como um fator biológico que pode causar o câncer de estômago, mas não são todos os subtipos de H. Pylory, e não faz parte da rotina clínica solicitar a pesquisa de qual sorotipo é a bactéria.

Já o Inca afirma que o maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer do estômago é a infecção em longo prazo pela bactéria H. pylori. É uma das infecções mais comuns no mundo e pode ser responsável por 63% dos casos de câncer gástrico. A prevalência mundial calculada de infecção pelo H. pylori é de 50%, sendo que chega a 90% nos países em desenvolvimento.

O diagnóstico é feito pela endoscopia digestiva alta e biópsia. O tratamento é preferencialmente cirúrgico. A cirurgia é capaz de curar o paciente eliminando o câncer, desde que o mesmo seja diagnosticado precocemente. Em estádios iniciais (bem avaliados) podem ser feitos em casos selecionados ressecção por endoscopia, mas essa não é a realidade. “O tratamento curativo é predominantemente cirúrgico. E a cirurgia se baseia na retirada de todo ou parte do estômago, dependendo da localização do tumor, associado a retirada de linfonodos - mais conhecidos como ínguas- da região do estômago. A radioterapia e a quimioterapia podem ser utilizadas como adjuvantes no tratamento, mas nunca são usadas isoladamente como tratamento curativo de câncer de estômago”, frisou o oncologista.

Uma pessoa consegue viver normalmente sem estômago ou com a redução do órgão. Inicialmente, terá que se readaptar na alimentação. Ela terá que aumentar o número de refeições com redução do volume de cada refeição, afim que possa obter todas as calorias necessárias para sua pronta recuperação. Mastigar bastante os alimentos, evitar ingestão de líquidos com as refeições. Evitar alimentar-se de alimentos muito doces, pois podem apresentar reações adversas. Em casos de gastretcomia total ( retirada integral do estômago),o paciente terá que repor por via parenteral a vitamina B12.

O tempo de adaptação varia de pessoa para pessoa e depende muito do tipo de cirurgia. Geralmente, menos de 180 dias. “As pessoas submetidas as gastrectomia total apresentam um tempo mais prolongado de adaptação, porém ao fim de dois anos, não haverá mais diferença entre o ganho de peso entre pessoas que se submeteram à gastrectomia subtotal das que se submeteram à gastrectomia total”. No entanto, a realidade do diagnóstico do câncer de estômago é outra. O alívio proporcionado pela automedicação durante os primeiros sintomas faz com que a procura por assistência médica seja tardia, reduzindo as chances de cura de muitos.

Muitos que procuram por assistência quando não há muito o que fazer além dos cuidados paliativos, cuidados esses empregados para dar qualidade de vida e diminuir a dor dos pacientes oncológicos. Em casos avançados a cirurgia continua sendo chave principal do tratamento, contudo há maior risco de recidivas ou apenas de tratamento paliativos ou até mesmo durante os exames de estadiamento se identifique que a cirurgia já esteja contra indicada. “Nestes casos, lança-se mão das medidas de suportes paliativos e em alguns casos pode ser utilizada quimioterapia, mas com caráter puramente paliativo, mas que devido ao mal estado geral do paciente, este tratamento pode nem ser feito”.

(Ascom Ophir Loyola)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!