Dores que parecem não ter fim e sem motivo aparente. A dor de cabeça, ou cefaleia, pode ser frequente e estar relacionada a um simples quadro gripal ou até mesmo a um tumor cerebral, passando por intoxicações alimentares, como ocorre no excesso de ingestão de álcool. Na maioria dos casos, entretanto, as dores são resultado de tensão muscular e podem estar relacionadas a estados psicológicos, como a ansiedade, a angustia e o estresse.
A enxaqueca é uma dor que pode surgir subitamente e em geral é acompanhada de outros sintomas, como vômitos, suor frio, palpitações ou pressão alta. Pode também ser crônica, existente há meses ou anos, e produzir desânimo, perda de apetite, alterações de sono e de humor. Segundo o neurologista José Luiz Salame, a enxaqueca, ou migranea. Pode ser bilateral, pulsátil ou em pressão e estar associada a náuseas, vômitos, tonturas e fotofobia, durando de quatro a 72 horas.
“A dor de cabeça comum corresponde mais à cefaleia do tipo tensional, que é a mais frequente. Muitas vezes o paciente não procura ajuda médica e tenta resolver a situação por conta própria, com a automedicação, que é mais comum entre as mulheres”, avalia o médico.
A enxaqueca, explica ele, é uma dor de cabeça sofisticada que se deve à dilatação de determinadas artérias cerebrais. Ocorre em crises de dor tipo latejante, em geral em uma metade da cabeça (daí também ser conhecida como hemicrania). A enxaqueca pode estar relacionada com o ciclo menstrual, determinados alimentos, álcool, certos perfumes e estresse. Ela é mais comum entre mulheres e em geral se inicia na juventude, com tendência a desaparecer após os 50 anos.
José Luiz lembra que a enxaqueca é uma doença do sistema nervoso central, em que o paciente herda uma predisposição que faz com que o seu cérebro seja diferente do normal, reagindo, assim, de forma anormal na presença de determinados agentes deflagradores ambientais. “Inicialmente é necessário o diagnostico correto, para então ser estabelecido um tratamento profilático, preventivo, que vai espaçar ou cessar esta cefaleia frequente, fazendo com que a pessoa tenha uma qualidade de vida muito melhor”, frisa.
É importante lembrar que a cefaleia, a queixa mais comum na prática médica, muitas vezes é o principal sinal de alarme para doenças graves, como meningite, hipertensão arterial, hemorragia cerebral, rompimento de aneurismas e tumores cerebrais. Necessita, portanto, de uma investigação rigorosa, orientada por um neurologista, para identificar o tipo e se chegar ao tratamento correto.
Quem sente dor de cabeça frequentes ou enxaqueca todos os dias deve evitar o uso abusivo dos analgésicos. A radiografia simples do crânio muitas vezes pode dar rapidamente o diagnóstico, como nos caso de uma sinusite. A tomografia cerebral ou a ressonância nuclear magnética são os exames básicos para o estudo do cérebro. O exame do liquor deve sempre ser feito quando se suspeita de uma infecção tipo meningite. (TDB/Diário do Pará)
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