Um projeto inovador do Museu Paraense Emilio Goeldi busca a acessibilidade da comunidade surda por meio da criação de um dicionário que cria novos gestos para espécimes da fauna e flora que não possuem código na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). O resultado da pesquisa desenvolvida pelo Projeto Clube do Pesquisador Mirim foi um dicionário animado que permite a difusão das novas expressões da fauna e flora amazônica.
A pesquisa, desenvolvida pelo Serviço de Educação e Extensão (SEC) do Museu Goeldi, teve como objetivo criar um protótipo de dicionário de espécies que não possuíam representatividade nas LIBRAS. Para isso, foi feito um levantamento para identificar quais seriam os animais e plantas mais relevantes que poderiam ter seus gestos criados. Todo o processo teve a participação de especialistas na Língua a fim de garantir a validade e oficialização dos novos gestos.
A pesquisa passou quatro anos em experiência com crianças surdas e não surdas que entendiam a língua dos sinais. Essas observações se concentravam em criar neologismos de forma mais simplificada possível, separando grupos taxonômicos, forma de vida, habitat, forma do animal e cor. A partir daí, as crianças respondiam questionamentos feitos por especialistas para que se colhesse o material relevante para a LIBRAS. Além disso, as observações foram complementadas com pesquisas bibliográficas e de campo.
Esses resultados foram comparados e aperfeiçoados com especialistas de instituições da área de deficiência auditiva. A opinião desses especialistas estará na versão definitiva. O protótipo do dicionário é exibido em CD-ROM para facilitar a visualização. Cada gesto é representado em um vídeo feito pelas próprias crianças.
Deusa Priscila da Silva Resque, autora da pesquisa, é bolsista do Programa de Capacitação Institucional (PCI) do Museu. Ela explica que os novos códigos partem de um padrão binominal. “Cada espécie nova foi designada com dois gestos, o primeiro que pode representar a família ou o gênero do indivíduo, e o segundo gesto caracteriza algum padrão da espécie. Essa foi a forma de melhor entendimento e fácil aceitação”, diz Deusa.
A Dra. Ana Vilacy Galucio, presidente da Comissão de Avaliação do Programa de Capacitação Institucional, acredita que a pesquisa apresentada mostra a atuação do Serviço de Educação e Extensão na inovação para a inclusão social. “Com trabalhos voltados para deficientes visuais e auditivos, o Museu mostra a preocupação não só na produção do conhecimento como também na inclusão de diversos grupos sociais”, diz Ana Vilacy. (Agência Museu Goeldi)
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