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Prevenção é arma contra o câncer de estômago

É comum tratarmos o que imaginamos ser uma simples dor de estômago com chás ou usarmos a costumeira automedicação, medidas que aliviam a dor momentaneamente. Um mal estar nessa região, contudo, pode ser um alerta para algo mais grave, como o câncer de est

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É comum tratarmos o que imaginamos ser uma simples dor de estômago com chás ou usarmos a costumeira automedicação, medidas que aliviam a dor momentaneamente. Um mal estar nessa região, contudo, pode ser um alerta para algo mais grave, como o câncer de estômago. Um dos grandes inimigos para o diagnóstico precoce desse tipo de neoplasia se dá justamente pelo fato de que, na fase inicial, a doença se apresenta de uma forma inespecífica, geralmente leve, e pode ser confundido com outras doenças, como gastrite, úlceras pépticas e doenças de refluxos, como alerta o oncologista do Hospital Ophir Loyola Alessandro França.

Foi exatamente o que ocorreu com o ribeirinho Raimundo Ribeiro, 61, morador do município de Anajás, na ilha do Marajó. Há mais de três anos ele começou a sentir leves dores. Repetindo uma tradição local, recorreu a um chá, que, acreditava, havia sanado por mais de um ano o desconforto, até não surtir mais efeito. “Tomava muito chá de casca de pau e passava. Com o tempo as dores ficaram mais frequentes e insuportáveis e tive febre. Foi aí que procurei um médico e descobri que estava com uma doença grave e avançada”, relatou.

Geralmente, as pessoas buscam atendimento no estágio avançado da doença, quando ela já apresenta sinais como sangramento (que podem ocorrer em patologias benignas), perda de peso ou a dor com intensidade muito forte. “Os sintomas irremediáveis ou bem mais evidentes é que em geral fazem às pessoas procurarem atendimento médico. É quando o tumor já está em estágio mais avançado”, diz o oncologista, informando que o câncer de estômago é mais frequente em homens.

“Isso não ocorre devido a diferenças genéticas entre os sexos e sim porque o homem em geral se expõe mais aos riscos, como alimentação inadequada, pouca ingestão de alimentos frescos, tabagismo etc”, explica. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que 12.670 novos casos de câncer gástrico devem ser registrados em homens e 7.420 em mulheres. O valores correspondem a um risco estimado de 13 casos novos a cada 100 mil homens e sete a cada 100 mil mulheres.

Dados do Hospital Ophir Loyola apontam que a o câncer de estômago é o segundo mais comum tratado na instituição, o segundo mais frequente em homens e o terceiro em mulheres. Este ano 680 pessoas devem desenvolver a doença no Pará, das quais 450 no sexo masculino (taxa bruta 11,11 por 100 mil habitantes) e 250 no sexo feminino (taxa bruta 6,60 por 100 mil habitantes).

Prevenção – O oncologista André França explica que não existe um perfil mais atingido e sim regiões mais afetadas. Pessoas da região da Ásia, sobretudo japoneses e coreanos, têm um risco maior de desenvolver a doença. No Pará, quem mora na região do Salgado está mais propenso. “Isso ocorre devido às questões ambientais e ao tipo de alimentação. Pessoas que ingerem alimentos ricos em nitritos e nitratos (conservados em sal) apresentam um risco bem maior. Pessoas destas regiões que se mudam para outras áreas acabam diminuindo o risco de ter câncer de estômago pela mudança às exposições ambientais”, explica.

Uma dieta rica em frutas e vegetais frescos, sem alimentos conservados em sal ou defumados, ajuda a prevenir este tipo de câncer. Pessoas que moram em locais com maiores riscos devem fazer exames de investigação periodicamente. A H. pylori já é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um fator biológico que pode causar o câncer de estômago, mas não são todos os subtipos da bactéria que podem causar a doença, e não faz parte da rotina clínica solicitar a pesquisa de qual sorotipo ela é.

O Inca afirma que o maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer do estômago é a infecção em longo prazo pela bactéria H. pylori. É uma das infecções mais comuns no mundo e pode ser responsável por 63% dos casos de câncer gástrico. A prevalência mundial calculada de infecção pelo H. pylori é de 50%, sendo que chega a 90% nos países em desenvolvimento. O diagnóstico é feito pela endoscopia digestiva alta e biópsia.O tratamento é preferencialmente cirúrgico. A cirurgia é capaz de curar o paciente e eliminar o câncer, desde que o mesmo seja diagnosticado precocemente.

Em estágios iniciais bem avaliados podem ser feitos, em casos selecionados, ressecção por endoscopia, mas essa não é a realidade. “O tratamento curativo é predominantemente cirúrgico, e a cirurgia se baseia na retirada de todo ou parte do estômago, dependendo da localização do tumor, associado à retirada de linfonodos – mais conhecidos como ínguas – da região do estômago. A radioterapia e a quimioterapia podem ser usadas como adjuvantes no tratamento, mas nunca isoladamente como tratamento curativo de câncer de estômago”, frisa o médico.

Uma pessoa consegue viver normalmente sem estômago ou com a redução do órgão. Inicialmente, terá que se readaptar na alimentação, aumentando o número de refeições com redução do volume de cada uma, afim que possa obter todas as calorias necessárias para sua pronta recuperação. Deve mastigar bastante os alimentos e evitar a ingestão de líquidos com as refeições, além de alimentos muito doces, que podem apresentar reações adversas. Em casos de gastretcomia total (retirada integral do estômago),o paciente terá que repor por via parenteral a vitamina B12. (Agência Pará)

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