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Rede de abastecimento do centro será trocada

Há três semanas, o rompimento de um anel de distribuição de água em Belém deixou 150 mil pessoas sem água, durante todo um final de semana e trouxe à tona um velho problema: as péssimas condições de parte da rede de adutoras, por onde passa a água que che

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Há três semanas, o rompimento de um anel de distribuição de água em Belém deixou 150 mil pessoas sem água, durante todo um final de semana e trouxe à tona um velho problema: as péssimas condições de parte da rede de adutoras, por onde passa a água que chega às torneiras da capital paraense. De um total de 2, 5 quilômetros, cerca de 10% ainda são de fibra amianto, material que vem sendo substituído em todos os grandes centros do mundo.

Essa rede, localizada justo na área central de Belém -parte mais antiga da cidade – foi instalada há cerca de seis décadas e, há muito, vem pedindo substituição. O mapa do amianto passa por vias como a Alcindo Cacela, Fernando Guilhon, Gentil Bittencourt, Almirante Wandenkolk e Brás de Aguiar. Estende-se também por áreas do bairro do Marco como Duque de Caxias e Mauriti, rua onde houve o rompimento da adutora que deixou cinco bairros de Belém sem água por três dias.

O presidente da Companhia de Saneamento do Pará, Antonio Braga, conta que para localizar o problema foi necessário percorrer três camadas de asfalto. “A rede estava a seis metros de profundidade”, conta, explicando que o ideal é que a rede estivesse a, no máximo, um metro e meio para facilitar a manutenção e também para que os registros estivessem acessíveis. “Precisamos melhorar muito a interação com os órgãos que fazem intervenção nas ruas de Belém. Não pode haver esses aterros sem levar em conta a localização dos registros. Enterrar um registro de água é como enterrar um hidrômetro de combate ao incêndio”, afirma o presidente da Cosanpa.

A profundidade da rede é fruto de um problema comum nas vias da cidade: o terreno muito baixo e as sucessivas necessidades de aterramento. Na Mauriti, os técnicos da Cosanpa se depararam com três camadas de asfalto, o que significa que desde a instalação da adutora, a área sofreu várias intervenções. Para recuperar o abastecimento interrompido nos bairros da Pedreira, Sacramenta, Telégrafo, Marco e parte do Barreiro, a Cosanpa fez obras emergenciais, mas logo depois, apareceu novo vazamento indicando que o problema exigia mais do que um simples conserto. “A adutora estava totalmente danificada”, admite Braga anunciando que o Estado vai fazer a substituição da rede no trecho que vai da Rua Nova até a avenida Senador Lemos percorrendo cerca de 600 metros.

O cabeleireiro Manoel Junior estava entre os moradores da Pedreira que sofreram com a falta de água. “Só não foi pior porque tenho caixa d’ água, justamente para me prevenir desses problemas”, diz.

A aposentada Perciliana do Vale não tem caixa, mas também acha melhor não contar com as torneiras. Improvisa usando baldes e bacias, em uma rotina de transtornos que a maioria dos belenenses conhece bem. “A gente nunca sabe quando vai faltar água. Não costuma ter aviso, então é melhor armazenar”.

EDUCAÇÃO

Com as obras na Mauriti, a Cosanpa tem distribuído panfletos informando sobre os transtornos e prometendo que o sistema será normalizado.

A obra deve estar concluída em três semanas, mas não será suficiente para livrar os moradores de Belém dos inconvenientes da falta de água.

Para isso, será necessário substituir toda a rede de amianto e ferro fundido com mais de 60 anos. O investimento necessário será de R$ 27 milhões e a obra que começará ainda neste ano deve durar 24 meses “Não podemos fazer intervenções muito fortes porque prejudicaria a mobilidade”, justifica.

A troca de parte da rede terá impactos para o abastecimento em boa parte da área central de Belém. Isso porque, nem sempre as faltas de água atingem exatamente os pontos onde há o vazamento. “Não necessariamente essas são as áreas com mais falta de água, mas é nelas que se concentra o maior volume de vazamentos que muitas vezes impedem a água de chegar a bairros mais distantes”, explica Braga.

Além de trocar a rede, a Cosanpa precisará fazer a chamada setorização da rede, ou seja, implantar registros ao longo da rede. Com isso, em caso de necessidade, haveria o desligamento e interrupção dos serviços apenas no setor próximo ao vazamento e não em grandes áreas como ocorre hoje.

‘“Como a Cosanpa não tem sistema seguro de setorização, muitas vezes um vazamento como o que ocorreu na Mauriti nos obriga a interromper o abastecimento para cinco bairros”, conta o presidente da Companhia.(Diário do Pará)

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