Seu Francisco Cunha, 84, aposentado, não nega: fuma desde os cinco anos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que, a cada dia, 100 mil crianças tornam-se fumantes em todo mundo e que, aproximadamente, cinco milhões de pessoas morrem, por ano, vítimas do uso do tabaco. Com voz rouca, poucos dentes na boca, seu Francisco garante: nunca teve nenhum problema de saúde por causa do cigarro. Hoje, no Dia Mundial Sem Tabaco, seu Francisco, uma rara exceção, não se considera um bom exemplo. “Não é porque eu nunca tive nada que eu vou incentivar os outros a começarem a fumar”, fala. O tema da semana em comemoração ao Dia Mundial Sem Tabaco deste ano, promovida pela OMS, é “A Interferência da Indústria -Fumar: faz mal pra você, faz mal pra o planeta”. Ontem, a programação contou com um ato na Praça Batista Campos, em Belém, onde estudantes, profissionais de saúde, da educação e da sociedade civil organizada distribuíram panfletos para orientar a população sobre prevenção e realizar a promoção do controle do tabagismo.
Entre as doenças que podem ser adquiridas devido o hábito de fumar estão: Câncer de pulmão, de boca, de laringe, de estômago, leucemia, infarto do miocárdio, enfisema nos pulmões e impotência sexual. “Já está provado que tabagismo é uma doença. Por isso, é importante fazer esse trabalho de sensibilizar, de educar a população, para evitar que tenhamos novos fumantes e que hoje as pessoas que tenham esse hábito busquem tratamento”, fala Roseli Silva, uma das técnicas da Coordenação Estadual de Controle de Tabagismo. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 14,8% da população é composta por fumantes, sendo que 18,1% dos homens e 12% das mulheres são viciados em cigarro.
O tema escolhido pela OMS este ano serviu para lembrar que o cigarro não faz mal só ao corpo, é também um perigo ao meio ambiente. Segundo dados do Ministério da Saúde, o desmatamento oriundo do plantio e secagem de folhas de tabaco corresponde a 5% do total e, para cada 300 cigarros produzidos, uma árvore é sacrificada. Ainda segundo o Ministério da Saúde, pelo menos 25% dos incêndios rurais e urbanos são causados por pontas de cigarro. Além disso, seus filtros, carregados de materiais tóxicos, podem demorar mais de cinco anos para se decompor e contaminar lençóis freáticos.
Jucélio Santos, 17, foi um dos alunos que participaram da ação na Praça Batista Campos, na manhã de ontem. “Eu gostei de participar porque o cigarro prejudica todo mundo, até a saúde de quem está perto”, comenta o estudante. A comerciante Ira Monteiro, 64, sabe bem que o tabagismo prejudica até quem nunca colocou um cigarro na boca. Para não espantar os clientes do bar, dona Ira precisa conviver com a fumaça que chega até a sala da sua casa, que fica no mesmo local do estabelecimento comercial. “Se acendem um cigarro, meu filho reclama logo lá de dentro. Quando eu respiro essa fumaça, dói até o meu estômago”, comenta. Apenas na fumaça do cigarro existem cerca de quatro mil substâncias tóxicas.
Hoje, a Secretaria Estadual de Saúde Pública promove o Seminário Estadual de Proteção à Vida, às 8 h, no auditório Albano Franco da Federação das Indústrias do Pará.
(Diário do Pará)
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