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Dentistas poderão fazer greve

José Lobão trabalha como dentista há 40 anos. Apesar da experiência e do tempo de profissão, há dez anos não tem reajuste nos honorários pagos pelas operadoras de planos odontológicos. Ontem, dentistas do Pará que trabalham com serviços vinculados a plano

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José Lobão trabalha como dentista há 40 anos. Apesar da experiência e do tempo de profissão, há dez anos não tem reajuste nos honorários pagos pelas operadoras de planos odontológicos. Ontem, dentistas do Pará que trabalham com serviços vinculados a planos privados paralisaram por um dia as atividades como forma de advertência, na tentativa de iniciar negociação para aumentar o valor pago pelos procedimentos. O dia de greve contou com ato público em frente à sede do Conselho Regional de Odontologia do Pará, em Belém. As manifestações ocorrem nos últimos meses em várias cidades do país. O reajuste de 30% oferecido aos dentistas foi recusado e a categoria pretende alcançar, no mínimo, 80% de aumento pelos dez anos de atraso. “As operadoras não aumentam o valor dos nossos honorários e nós não podemos melhorar nosso atendimento e os serviços prestados. Enquanto isso, aumenta a luz, aumentam os custos com os tratamentos...”, fala Armando Dourado, presidente do Sindicato dos Odontologistas do Pará e vice-presidente da Federação Nacional de Odontologistas.

Segundo Dourado, cerca de cinco mil profissionais atendem aos planos odontológicos no Estado e se sentem prejudicados pelas operadoras. “Só em Belém existem cerca de 200 cirurgiões-dentistas. Nossa intenção não é prejudicar a população, que não tem culpa de nada disso”, reforça.

Além do reajuste dos honorários, os dentistas exigem que as operadoras paguem mais rápido pelos procedimentos realizados e não interfiram nos diagnósticos. “Eles fazem tudo pra aumentar o lucro. Quando a gente vai cobrar pelos procedimentos, eles dizem que falta o raio-x, que não compreendem a assinatura do dependente. Às vezes, um dentista só recebe pelo procedimento dois meses depois”, conta Dourado. Uma grande paralisação nacional deve ocorrer em outubro, no Dia do Dentista, caso as negociações não prossigam. A alternativa para quem não tem plano odontológico nem dinheiro para pagar dentistas particulares seria procurar atendimento em postos de saúde ou clínicas populares. “Os consultórios da maioria dos postos de saúde não oferecem condições para os dentistas trabalharem, é só você ir a qualquer um para ver. É claro que o atendimento fica prejudicado. Nós sempre pregamos que os dentistas precisam ter condições do pleno exercício digno da profissão”, argumenta Dourado.

(Diário do Pará)

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