Diversas são as comunidades quilombolas e indígenas presentes na região em torno do rio Tocantins. A história e a cultura dessas populações, porém, ainda são temas que merecem maior atenção de educadores e pesquisadores, com abordagens mais críticas sobre a identidade sociocultural da região. É com esta proposta que o Campus Universitário Tocantins/Cametá da Universidade Federal do Pará (UFPA) oferece, pela primeira vez, o curso de Pós-Graduação Lato Sensu em História Afro-Brasileira e Indígena.
O Projeto para a formação de novos educadores tem como base as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, Leis nº 10.639/2003 e nº 11.465/2008, para a inserção de disciplinas voltadas para a temática indígena, africana e afro-brasileira. Entre as disciplinas já trabalhadas na formação do graduado em história, no Campus de Cametá, estão: História da África Pré-Colonial, História e Cultura Afro-Brasileira, História da África Contemporânea, História Indígena e do Indigenismo e História Aplicada à Educação Indígena.
“O currículo de graduação em história, em Cametá, consiste em um projeto ousado, visto que é um dos poucos cursos de história do norte e nordeste do Brasil, que possui uma inclusão maior de conteúdo voltado para as temáticas africanas, afro-brasileiras e indígenas”, frisou o professor Augusto Leal, coordenador do curso.
Desse modo, a especialização, que segue a mesma proposta política de formação, é destinada aos professores do ensino fundamental e do médio, graduados em História, Letras,
Pedagogia e em outros cursos que trabalhem com a questão racial e indígena, além de afro-descentes e indígenas que já possuam curso de graduação.
De acordo com Augusto Leal, a história do negro e do indígena no Brasil continua recebendo uma carga horária de conteúdo muito baixa em relação ao conteúdo voltado para a história europeia. Para o professor, predomina uma política de supervalorização da história daquele continente em detrimento de outras histórias, como a da África e da Ásia, que, apesar da suas respectivas importâncias no mundo político-econômico contemporâneo, possuem poucas abordagens nos cursos de história, letras e artes.
“Até mesmo em relação ao equilíbrio dos currículos de ensino superior, a história e a cultura europeia continuam sendo as mais privilegiadas nos cursos universitários de diferentes disciplinas, compostas de, pelo menos, cinco abordagens temporais divididas entre o mundo antigo, o medieval, o moderno e o contemporâneo, como se nada houvesse para ser dito em relação aos demais continentes nos mesmos períodos”, critica.
Processo seletivo – As inscrições estarão abertas até o dia 8 de junho, na Faculdade de História do Campus Tocantins/Cametá, no horário das 8h às 12h e das 16h às 20h. O edital está disponível para consulta no blog www.historiaemcampo.blogspot.com. Por meio do blog também será divulgado, no dia 19 de junho, o resultado do processo seletivo para o curso de Especialização em História Afro-Brasileira e Indígena.
Estrutura do Programa de Pós-Graduação - O curso é ofertado em duas modalidades de ensino, presencial e intervalar, com duração de 12 meses. A especialização será gratuita, tendo o aluno que custear apenas material didático, transporte, alimentação e outras atividades práticas.
Serão ministradas as seguintes disciplinas: Etnicidade, raça e racismo; Metodologia e prática de pesquisa; Diáspora africana no Brasil, História e resistência indígena no Brasil; Religiosidade, cosmologia negra e indígena; Linguagens e literatura étnico-racial.
Seis professores, todos da UFPA, irão atuar ao longo do curso, sendo quatro doutores e dois mestres. A maior parte pertence ao curso de História, outro é doutor, com formação em Letras. A coordenação e vice-coordenação também possuem pesquisas e publicações nas áreas dos estudos étnicos e raciais.
O curso delimita suas abordagens nos estudos voltados para a questão afro-brasileira e indígena. “Deste modo, sob uma perspectiva étnico-racial, as linhas de pesquisas se voltam ora para o estudo sobre História e cultura negra, ora para a temática de História e cultura indígena. Sendo estes os dois principais norteadores de suas linhas de pesquisa”, destaca Augusto Leal.
(Ascom UFPA)
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